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NEGÓCIOS


A casa dos Gucci

Drama corporativo conta a saga do clã italiano

Hulton-Deutsch Collection/Corbis
DINASTIA: Aldo (no alto), Patrizia e Maurizio: luxo, intrigas e crime

Há muitas sagas empresariais que dariam um livro. Algumas delas chegam a ser postas no papel. Poucas, entretanto, acabam na lista dos mais vendidos e aguçam o interesse até mesmo de quem não tem afinidade com o mundo corporativo e prefere debruçar-se em best-sellers de escritores como Harold Robins ou Sydney Sheldon. A trajetória da família Gucci, que construiu na Itália um império da moda e dos artigos de luxo, é uma delas. Do apogeu, nos anos 50, à derrocada, na última década, o clã fundado pelo patriarca Guccio Gucci protagonizou episódios repletos dos ingredientes que fazem a delícia dos romances mais populares: poder, dinheiro, glamour, egoísmo, luxo, conflitos, sexo, crime – não necessariamente nessa ordem. A jornalista americana Sara Gay Forden reuniu-os todos e lançou recentemente nos Estados Unidos a obra The House of Gucci (A Casa de Gucci), melhor livro já escrito sobre a dinastia, ainda sem tradução para o português.

Objetos voando nas salas de reunião, obscenidades proferidas em ambiente corporativo, processos e acusações mútuas estão por toda parte nas 351 páginas escritas por Forden, fazendo um contraponto à genialidade e ao talento criativo que fizeram dos Gucci uma grife valiosa e desejada por personalidades como a rainha Elizabeth II e a atriz (e depois princesa de Mônaco) Grace Kelly. O patriarca fica com os louros da história. Seus descendentes, com a parte mais picante – e vergonhosa – do drama empresarial. Guccio Gucci forjou um estilo. Seu filho, Aldo, transformou-o em um império internacional. O neto Maurizio, em um caso de polícia, do qual acabou sendo a maior vítima. Primeiro, duelou com o tio Aldo e o primo Paolo pelo controle da companhia, numa rinha em que não faltaram armas sujas como denunciar os parentes ao próprio fisco. De posse dos negócios, viveu de forma nababesca e por pouco não afundou a empresa. Acabou assassinado, em 1995. Patrizia Reggiani, ex-mulher de Maurizio, foi apontada como a mandante do crime, pelo qual foi condenada três anos mais tarde. Sua pena: 29 anos de prisão.

De trás das grades, Patrizia assiste ao ressurgimento da companhia – com os Gucci longe do comando, diga-se. Os desmandos de Maurizio fizeram com que os credores – entre eles os grupos financeiros Investcorp e Morgan Stanley – assumissem a empresa, profissionalizassem a gestão e reeditassem os tempos áureos. Ainda há bate-bocas, como os protagonizados pelo presidente Domenico De Sole e o estilista-chefe Tom Ford – a autora também conta detalhes – e muita história de bastidores, como as negociações que fizeram o grupo passar, em 1998, para as mãos do magnata francês François Pinault. Os últimos 10 anos foram um luxo só nas contas da Gucci. Mas sem os outros 69 da história do clã, certamente não dariam um livro.

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