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ELETRÔNICOS
A tacada de mestre da Gradiente
Empresa
vende participação em fábrica de celulares para a Nokia, com ganho
de 5.000% em três anos
Paula
Pacheco
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Gustavo
Lourenção
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Staub
“Não verei outro negócio assim nesta encarnação”
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O empresário
Eugênio Staub, dono da Gradiente, concluiu na sexta-feira 20 aquela
que pode ser considerada a maior transação da sua carreira. Viu
um investimento de US$ 10 milhões, feito há três anos, se transformar
em mais de US$ 500 milhões. “Nunca mais vou ver outro negócio com
esse brilho nessa encarnação”, afirmou à DINHEIRO. Staub fazia referência
à venda dos seus 49% de participação na NGI para a sócia Nokia,
que a partir de agora passa a ser a única dona da fábrica de celulares
em Manaus. A multinacional finlandesa pagou à vista US$ 415 milhões
pela parte que estava nas mãos da Gradiente. Desde que as duas se
associaram, Staub já havia embolsado outros US$ 110 milhões referentes
aos dividendos da empresa. E mais: foi a área de celulares a responsável
pela sobrevivência da Gradiente no período de crise do setor de
eletroeletrônicos.
Com
os bolsos cheios, a primeira atitude que Staub vai tomar é acertar
a vida da empresa com os bancos. Pretende quitar as dívidas de cerca
de US$ 90 milhões que vencerão nos próximos 180 dias. “Sem endividamento,
teremos um perfil mais parecido com os concorrentes estrangeiros”,
explica. Mas isso não quer dizer que Staub se afastará das instituições
financeiras. Bastou o mercado saber que o empresário estava com
a carteira recheada de dólares para que o telefone de seu escritório
não parasse de tocar. “Já tem um monte de banqueiros ligando para
nós”. ironizou. “Agora, em vez de tomadores de dinheiro, seremos
investidores.”
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Fotos:
Biô Barreira
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Fernandez,
da nokia: aquisição reforça estratégia para Banda C e abre
as portas para exportação
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A tremenda
tacada permitirá a Staub partir para novos projetos. Uma das áreas
em que pretende investir é na produção do celular fixo (tecnologia
usada pela Vésper, operadora do eixo Rio–São Paulo) e, para isso,
o dono da Gradiente já está conversando com potenciais sócios estrangeiros
que possam oferecer tecnologia em uma possível associação, além
de operadores nacionais dispostos a comprar seus produtos. Staub
não vai desistir dos negócios de telefonia móvel. Continuará vendendo
seus aparelhos, que serão produzidos pela Nokia em sistema de terceirização.
Para
a Nokia, a independência na área de celulares acontece no momento
certo. A associação com a Gradiente foi estratégica para que a empresa
começasse a operar no Brasil ao lado de uma marca já conhecida no
mercado. Agora, a empresa se prepara para entrar de cabeça na Banda
C, da qual detém a tecnologia GSM e para produzir também para exportação,
o que era vetado pelo acordo com a Gradiente. Na sexta-feira, executivos
finlandeses e americanos, acompanhados por Edward Fernandes, presidente
da divisão de telefonia móvel, estavam enfiados na linha de produção
em Manaus. Sabem que têm muito trabalho pela frente.
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