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MONTADORAS
Acidentes
e pressão da Justiça põem recall da GM na berlinda
Fernando
Neves e Claudia Marques
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Washington
Alves/Light Press
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MADRUGADA
DE SEXTA, 20, EM MG: Falha no cinto leva motorista a bater
cabeça e tórax
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Biô
Barreira/Pompéia Veículos
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A
TROCA: 1,3 milhão de consumidores convocados
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Cintos
de segurança deveriam ser, como o próprio nome diz,
a garantia maior de segurança. Infelizmente, a eficiência
do equipamento foi posta à prova por um dos automóveis
mais vendidos no País, o Corsa. As falhas tiveram consequências
trágicas. Os cintos de segurança se romperam em pelo
menos 25 acidentes, sendo dois fatais. Este é o número
oficial, divulgado pela própria General Motors. A reportagem
de DINHEIRO apurou que a Polícia Civil de Minas Gerais trabalha
com a hipótese de haver pelo menos mais três mortes,
todas no Estado, ligadas ao problema do cinto. Os acidentes ocorreram
em março de 2000, em Barbacena, São João Del
Rey e Uberlândia, segundo o Instituto de Criminalística
da Polícia Civil mineira. Na madrugada da sexta-feira, 20,
aconteceu mais um acidente grave. O jovem Ronaldo da Silva Couto
envolveu-se em acidente com seu Corsa Sedan na BR-040, indo de Belo
Horizonte para o Rio de Janeiro. O cinto não evitou que ele
batesse gravemente a cabeça e o tórax. A decisão
da General Motors de fazer o recall foi tomada em 29 setembro deste
ano e serão convocados 1,3 milhão de consumidores.
É o maior recall da indústria nacional.
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Washington
Alves/Light Press
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PINHEIRO
NETO E O FORNECEDOR: Justiça pode responsabilizar executivo
da GM. A Keiper faz voto de silêncio
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Problema
e solução
Entenda como a peça se rompe
e o processo de reparo |
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Biô
Barreira
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O
suporte do fecho do cinto quebra e faz todo o conjunto de
segurança se soltar do banco
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Kit
é instalado no trilho e abraça o suporte do fecho |
Pela
primeira vez no Brasil, o recall de uma peça defeituosa de
automóvel é feito baseado na constatação,
registrada pela própria empresa, de acidentes fatais provocados
diretamente pela falha de fabricação. Por trás
dos graves defeitos no cinto, transborda uma série de problemas.
Por que a GM esperou tanto para oficializar o recall, já
que a primeira morte, admitida pela montadora, ocorreu em abril
de 1999? A GM afirma que indenizou a família dos mortos,
pagando algo em torno de R$ 1 milhão a cada uma. Não
há notícia nem confirmação da empresa
de que os demais 23 acidentes sem vítimas fatais, por ela
conformados, serão alvo de indenização. Entre
outras questões controversas do caso está a dos consumidores
que pagaram pela troca da peça antes do recall, achando que
era problema exclusivo de seus veículos e não uma
falha em série. A GM limitou-se a dizer que não vai
reembolsá-los. "Não há motivo para isso",
afirma José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da companhia
no Brasil. A outra empresa envolvida no recall é a alemã
Keiper, fabricante do sistema do cinto de segurança da GM.
Foi escolhida em concorrência mundial, há seis anos,
disputando com TRW, Johnson Controls e Lear Corporation. Ficou imcumbida
de desenvolver e fornecer o equipamento para as fábricas
no Brasil e Europa. A Keiper não comenta o assunto do recall,
por orientação da General Motors. "Todas as informações
serão dadas pela montadora", diz Diógenes Cerqueira,
diretor comercial da Keiper do Brasil. A matriz alemã. procurada
por DINHEIRO, repetiu a informação da filial. "Falem
com a GM", sugeriu Pieter Arndt, gerente do centro tecnológico
da Keiper em Kaiserlautern.
Diferente
do que se viu na guerra aberta entre Ford e Firestone, nos EUA,
o episódio brasileiro prima pela solidariedade entre montadora
e fornecedor. Nos EUA, os acidentes fatais derrubaram o presidente
da fabricante de pneus, criando jurisprudência para colocar
os responsáveis na cadeia por 15 anos. No Ministério
Público brasileiro, surge o primeiro sinal de que a lei vai
ficar mais dura para os fabricantes de carro. O promotor de Justiça
de Defesa do Consumidor em São Paulo, Giovanne Serra Azul
Guimarães, diz que a GM pode ser responsabilizada pela omissão
de informações. "Os responsáveis pela
General Motors do Brasil podem ser condenados pela Justiça
a cumprir pena de seis meses a dois anos de detenção",
afirma o procurador Guimarães. E completa: "A montadora
deveria ter feito ampla e imediata divulgação. E não
foi isso o que ocorreu". A GM diz que informou ao Ministério
da Justiça sobre o recall dentro do prazo legal. O Procon
estuda multar em R$ 3,1 milhões à montadora pelo atraso
na convocação do recall.
Dentro
da montadora, há diferentes versões sobre o caso.
Algumas surpreendentes, como culpar o mau estado de conversação
das estradas brasileiras pela quebra dos cintos. "Não
temos nenhum indicativo de que as peças têm defeito.
Elas romperam apenas diante de uma pressão muito acima do
normal", diz Pinheiro Neto. Segundo ele, o recall de 1,060
milhão de carros , além de outros 240 mil exportados,
não é a prova de que a montadora cometeu um erro na
adoção do sistema de ancoragem dos cintos de segurança.
A alguns metros da sala dele, o diretor de Engenharia de produtos
da GM, Carlos Buechler, responsável pela linha de montagem
do Corsa, admite preocupação. "Toda esta situação
nos deixa muito incomodados", diz. Os engenheiros brasileiros
sabem como aconteceu o problema, mas não sabem o por quê.
"Estamos frustrados", revela o executivo. As peças
foram enviadas a Alemanha, em meados do ano passado, onde se constataram
micro-rachaduras. A decisão de resolver o problema foi tomada
em setembro de 1999, um ano antes do anúncio oficial feito
pela GM ao governo brasileiro. A primeira solução
um rebite adicional foi implementada em dezembro de
1999 para os carros da linha 2000. Os testes prosseguiram até
julho, quando a solução para os veículos que
já tinham sido vendidos -- um suporte extra com seis peças
-- entrou em fase de pré-produção. Foram meses
de longa agonia.
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E
AGORA É O PÁLIO
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Não
é só no campo comercial que GM e Fiat estão unidas. Na crise,
também. Na quinta-feira 19, a fábrica italiana anunciou a
convocação de todos os proprietários de Palio com motor 1.0
produzidos desde maio de 1998. O motivo é uma possível falha
no cinto de segurança. A Fiat vai instalar um parafuso e uma
arruela de ferro nos 320 mil veículos da marca para resolver
o problema.
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