|
TRANSPARÊNCIA
Provão
para o mercado
Operadores
terão de passar por um vestibular
Betina
Piva
|
Gustavo
Lourenção/Fotomontagem: Tato
|
 |
|
Teste
de credibilidade: operadores sem o diploma terão dificuldade
de arranjar emprego
|
Barbeiragens
cometidas por administradores de fundos se tornaram rotina nos últimos
anos. Casos como o do Boavista, que lesou 3 mil clientes de suas
aplicações de tarja preta, ou do Banco do Brasil, que perdeu milhões
em fundos cambiais com a desvalorização do real, são de tirar o
sono de qualquer investidor. Para evitar que tragédias como essas
se repitam, o economista Edmar Bacha, presidente da Associação Nacional
dos Bancos de Investimentos (Anbid), quer instituir um vestibular
para quem cuida do dinheiro alheio. A partir do próximo ano haverá
um novo sistema de credenciamento para os operadores do mercado.
Todos eles terão de passar por uma avaliação, parecida com o Provão
com que o Ministério da Educação avalia as instituições de ensino
no País. O teste, realizado via Internet, terá 125 questões de múltipla
escolha sobre as leis que regem o mercado de capitais e deverá ser
respondido em três horas. Aqueles que se recusarem a prestar o teste
poderão continuar trabalhando, mas perderão credibilidade.
|
Julio
Vilela
|
 |
|
Edmar
Bacha: exemplo vem da Nasdaq
|
Bacha,
que assumiu há um mês a presidência da Anbid, considera que há muitos
problemas de transparência na relação entre o investidor e o operador.
É comum que este venda papéis que não são adequados ao perfil do
cliente. Em alguns casos, o aplicador quer deixar seu dinheiro num
fundo de renda fixa, mas uma cláusula em letras miúdas, no pé do
contrato, diz que parte do dinheiro poderá ser aplicada em renda
variável. Ou seja, há cliente levando gato por lebre. “Esse tipo
de coisa não pode mais acontecer”, diz Bacha. As novas regras foram
definidas com base no sistema da National Association of Securities
Dealers (Nasd), empresa-mãe da Nasdaq. A diferença é que lá o operador
reprovado no teste não pode trabalhar. No Brasil a punição não será
tão radical – quem não passar, simplesmente fica sem diploma. Mas
Bacha acredita que isso será suficiente. “Ninguém confiará seu dinheiro
a quem não passou no teste”, afirma.
|