|
O
Preço do 2º lugar
Para
garantir posição no ranking, banco dos Setubal paga R$ 1,67 bilhão
pelo Banestado
Ernesto
Bernardes
|
Cacalos
Garrastazu/Valor
|
 |
| Roberto
Setubal Banco do Paraná saiu dez vezes mais caro que o Banerj |
O Banco
do Estado do Paraná (Banestado) deu o maior prejuízo entre as instituições
estaduais no ano passado. Fechou seu balanço com um buraco de R$
535 milhões, cinco vezes pior que o do segundo colocado, o Besc,
de Santa Catarina. Seus sistemas de informática estão desatualizados
e sua folha de pagamento carrega espantosos 7.600 funcionários –
para que se tenha uma idéia, o BBVA, que é 30% maior em ativos e
tem rede no País todo, com quase o dobro de agências, possui 5.500
empregados. Além do custo das demissões, será preciso gastar com
dívidas trabalhistas de pelo menos R$ 100 milhões para as quais
não há provisão. Apesar dessa coleção de números ruins, o Itaú concordou
em arrematar o banco paranaense, no leilão de privatização, pagando
R$ 1,67 bilhão. O número, que espantou os analistas, representou
um ágio de R$ 1,2 bilhão, o maior já pago em uma privatização do
sistema financeiro, equivalente a quatro vezes o preço mínimo. Por
quê?
Uma
explicação foi dada em alto e bom som pelo próprio presidente do
Itaú, Roberto Setubal. Os créditos fiscais não contabilizados em
poder do Banestado, que somam R$ 1,9 bilhão, são um atrativo excepcional.
Segundo Setubal, poderiam ser usados, de uma vez, cerca de R$ 600
milhões desse total, o que reduziria o preço pago efetivamente a
R$ 1 bilhão. Depois do saneamento no balanço feito antes da privatização,
removendo uma montanha de créditos podres, restará ao novo controlador
uma instituição limpa, com 550 mil correntistas e a exclusividade
da folha de pagamento dos funcionários públicos do Paraná por cinco
anos. Mesmo assim, o preço do Banestado foi quase o dobro do que
o Itaú pagou pelo Bemge, dois anos atrás, e quase dez vezes o desembolsado
em troca do Banerj, em 1997. Seria o banco paranaense tão mais interessante
que os outros?
Na
verdade, o que tornou o Banestado atraente foi a disputa pelo primeiro
lugar no ranking dos bancos nacionais. Para não perder espaço para
o Unibanco (que acaba de adquirir o Bandeirantes) nem deixar que
o Bradesco crescesse até um ponto onde não poderia mais ser alcançado,
a instituição da família Setubal aceitou pagar um valor que o presidente
do Banco Central, Armínio Fraga, avaliou como “espetacular”. A compra
produziu resultados importantes para o Itaú. Garantiu que, se comprar
o Banespa, no leilão previsto para novembro, ele ultrapassará o
Bradesco – sonho que parecia distante desde que o banco de Osasco
adquiriu o Boavista e fez uma campanha acirrada para atrair 2,1
milhões de novos clientes. Aumentou também a distância do Unibanco,
que agora está ameaçado de perder o terceiro lugar, caso o Safra
abocanhe o estatal paulista. Sob esse ângulo, o Banestado saiu caro,
mas foi um gol.
|