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ENTREVISTA


“O MST está caindo na real de que
não é tão bonzinho quanto parecia”

DINHEIRO – O sr. acredita que o ministro Pratini de Moraes, da Agricultura, está tendo dificuldades no governo?
HAFERS –
O viés político na agricultura sempre foi a partir da produção. A questão é que nós temos problemas de mercado e de financiamento. O Pratini trouxe para o Ministério da Agricultura uma visão nova a partir do consumidor. Hoje nós não falamos mais de agricultura, mas de agronegócio. O ministro tem uma visão mais abrangente de agronegócio do que uma visão produtivista de agricultura. Os chilenos, por exemplo, foram bem competentes e trataram de fazer muitos estudos sobre frutas antes de começar a produzir. Achar que quem produz tem direito à remuneração é arcaico.

DINHEIRO – Antes de ser ministro, Pratini de Moraes dizia que o Brasil se vendia muito mal no exterior. Isso mudou depois que ele assumiu?
HAFERS –
Mudou. Ele tem feito esforços muito grandes, mas não basta só o Pratini fazer a parte dele. As barreiras, que antes eram só tarifárias, agora também são ecológicas, sociais. É fato que nós somos os maiores produtores agrícolas do mundo. Aqui no Brasil acham feio ser produtor agrícola. Nós temos complexo de inferioridade e por isso achamos que temos de produzir chip de computador. O chique é ganhar dinheiro, é ser rico. Os produtores da Europa defendem com unhas e dentes seus mercados com subsídios e, pior, competem nos nossos mercados com esses subsídios. O embaixador americano vive dizendo que nós pensamos só em suco de laranja. O Brasil é o mais competente produtor de laranja, tabaco e açúcar. E os americanos têm imposto na laranja, cota e imposto no açúcar e cota no tabaco. Temos de fazer uma brutal campanha contra isso.

DINHEIRO – Qual é a sua opinião sobre as denúncias de que o MST cobra pedágio dos assentados?
HAFERS –
O MST é um movimento político sem interesse na solução, vive do problema. Tanto assim que eles são contra iniciativas muito boas como o Banco da Terra. Por quê? Porque eles vão perder o controle do assentado. Quando o lavrador se emancipar como proprietário, ele vai preferir ser sócio da Sociedade Rural Brasileira do que do MST. O Movimento tem uma visão econômica socialista e totalitária, que é absolutamente anacrônica. As suas próprias bases vão renegá-la, como estão renegando. Eles, no mais espúrio estilo, cobram comissão dos assentados. Depois desses últimos três, quatro anos, não há mais dúvidas de que o MST está caindo na real de que não é tão bonzinho quanto parecia.

DINHEIRO – O sr. já visitou algum assentamento?
HAFERS –
Sim. Vi pessoas em barracas de lona, o que é uma pobreza inaceitável. Sou a favor da agricultura familiar, porque ela é socialmente eficiente. Há quem seja contra, dizendo que ela é menos eficiente. É verdade, mas o que importa numa situação como essa é que ela tenha a sua função social. Uma família num sítio bem arrumado custa menos para a nação do que se o Estado tivesse de investir para melhorar a sua qualificação para um outro tipo de atividade. Não vejo outra solução para a massa de pobreza do País.

DINHEIRO – Então o sr. é contra as desapropriações?
HAFERS –
Eu sou contra se criar caso na desapropriação. Eu acho que eles estão mais interessados em infernizar o fazendeiro do que ajudar o pobre. O governo já tem 8 milhões de hectares de domínio da União, que é quase a área equivalente a Portugal. Seria irônico, se não fosse trágico, a gente brigar por terra. O que existe é um ressentimento contra o fazendeiro. A verdade é que a cesta básica é feita por nós, os saldos da balança de pagamento são feitos por nós, o maior número de empregos é gerado por nós, os mais altos índices de produtividade também.

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