Saque ao tesouro
Estrangeiros
cobiçam até pedras da Petrobras
Fabiane
Stefano
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Maria
Di Andrea Hagge
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Na
“Disneylândia”, pode-se ver em 3D os poços de petróleo.
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O mundo
inteiro está de olho no tesouro que a maior estatal brasileira esconde
na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. Ali, num edifício circular
de 45 mil metros quadrados, o Centro de Pesquisa da Petrobras (Cenpes)
abriga 137 laboratórios de última geração onde companhias multinacionais
almejam até as pedras. “Sinal dos novos tempos”, ironiza Carlos
Soligo Camerini, superintendente-geral do Cenpes, a respeito do
flagrante dado no início do mês sobre um cientista inglês, a serviço
da companhia de sondagem geológica holandesa Corelab, que tentou
deixar o local com os bolsos cheios de pedaços de rochas de campos
petrolíferos brasileiros. O material poderia adiantar em vários
anos a compreensão de empresas concorrentes da Petrobras sobre a
especificação do petróleo brasileiro. “O mercado está aberto e,
assim, mais agressivo”, diz Ricardo Beltrão, superintendente de
exploração do centro.
Com
mais sutileza e igual ousadia, o Cenpes também é atacado por outros
ângulos. O bolso de seus profissionais, uma equipe de altíssimo
gabarito, composta atualmente por 81 doutores e 250 mestres em engenharia,
química, geologia, física e áreas afins, costuma ser um deles. Em
média, a Petrobras paga salários de R$ 5 mil aos cerca de 600 pesquisadores
que atuam no Cenpes. Grandes institutos estrangeiros costumam enviar
ofertas que partem do dobro desse valor para conquistar brasileiros
para suas fileiras. A cada ano, assim, o Cenpes vem perdendo 5%
de seus melhores quadros para centros de pesquisas de empresas com
sedes nos EUA, Canadá e Austrália. Para o ano 2000, esse porcentual
deve aumentar. “Temos muita coisa valiosa por aqui, mas o nosso
maior capital são os cérebros”, diz Camerini. “Sobre os jovens pesquisadores,
o assédio é maior .” A sangria nos quadros, segundo a companhia,
está apenas no início. Quando as multinacionais operarem a todo
vapor no País, o estrago poderá ser muito maior.
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Maria
Di Andrea Hagge
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O
chefe Camerini teme as multinacionais
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Tanta
cobiça é compreensível. Mais parecido com uma universidade, marcado
pelo clima de informalidade, o Cenpes transpira tecnologia. Num
dos laboratórios, apelidado de Disneylândia, trabalha-se em terceira
dimensão. É possível, ali, visualizar com óculos especiais as entranhas
dos poços de petróleo com precisão absoluta. Um trabalho que explica
por que a Petrobras é a líder mundial em tecnologia de perfuração
de poços petrolíferos em águas profundas. Hoje, o recorde mundial
de extração de petróleo sob o mar é de 1.870 metros e pertence à
estatal brasileira. Para cada dólar investido em seus laboratórios,
aos quais foram destinados este ano R$ 230 milhões, a companhia
calcula obter oito dólares de retorno. De olho na equação lucro-benefício,
os pesquisadores arriscam. Eles já inventaram, por exemplo, amarras
de naylon que substituíram por um preço menor correntes de aço na
ancoragem de plataformas em alto-mar. Outro feito que os cientistas
exibem é o combustível para Fórmula 1 que abastece a escuderia Williams.
Em outra frente, até o petróleo é posto em xeque. Os pesquisadores
já partem para explorar fontes de energia como o gás e o sol. Até
um antigo sonho voltou às mentes desses profissionais: extrair energia
do dendê, o popular óleo das comidas baianas. Pelo apetite das multinacionais
sobre o Cenpes, não se deve duvidar de nada.
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