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ECONOMIA


Licitação suspeita

Ministério do Desenvolvimento desmonta esquema de superfaturamento de computadores

Fernando Thompson

Anderson Schneider
DE BRASÍLIA AO MARANHÃO: documento oficial alerta Estado sobre o tipo e o tamanho da fraude

O ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias, desmontou um esquema de corrupção que estava instalado dentro do Departamento Nacional do Registro do Comércio (DNRC), órgão do ministério que dá apoio às Juntas Comerciais de todo o País. Há dois meses, Tápias afastou cinco funcionários suspeitos de montarem um esquema de superfaturamento na compra de equipamentos e programas de computador para as juntas estaduais. Estão sendo investigados o ex-presidente do DNRC, Hile José Kaufann, e quatro ex-funcionários do departamento e até a Fundação de Amparo à Pesquisa e Extensão Universitária (Fapeu), subordinada à Universidade Federal de Santa Catarina. O esquema já teria causado prejuízo de cerca de R$ 700 mil aos cofres do ministério. Essa quantia poderia chegar a R$ 2 milhões, se a quadrilha não fosse desbaratada.

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O esquema foi montado em cima do projeto que cria o cadastro nacional de empresas, uma rede que interligará as juntas comerciais de todos os Estados mais a do Distrito Federal (DF). O custo previsto era de R$ 7 milhões. Em 1998, o DNRC contratou, sem licitação, a Fapeu para a instalação de um sistema de captura eletrônica de imagens dos documentos da Junta Comercial de Brasília. A contratação, por R$ 968,5 mil, apesar de não ferir a lei das licitações surpreendeu os técnicos porque a Fapeu nunca havia feito esse tipo de serviço anteriormente. Pior: repassou, ilegalmente, o serviço para uma empresa do DF. Pior ainda: o sistema não funciona direito. A suspeita é que tudo foi combinado. Para justificar a ausência da licitação, o DNRC fez uma tomada de preços com duas empresas, uma de Brasília e outra do Rio Grande do Sul. Ambas apresentaram preços superiores ao proposto pela Fapeu. Poderia se tratar de mais uma coincidência. Um detalhe, porém, levantou a suspeita de que houve um acordo por debaixo dos panos, ou melhor, das juntas: as concorrentes da Fapeu já tiveram os mesmos sócios. A tomada de preços foi uma obra de ficção, suspeita a comissão de investigação.

O esquema deu tão certo que seus autores, imaginando que tinham o ISO-9000 da picaretagem, resolveram exportá-lo de Brasília para o Nordeste. Lá, repetiram o mesmo rol de coincidências. A Junta Comercial do Maranhão contratou no ano passado, também sem licitação, a mesma Fapeu. A modelagem do negócio foi a mesma. O preço é que foi um pouco menor. O contrato previa um pagamento de cerca de R$ 600 mil, divididos em duas parcelas. A primeira, de R$ 196 mil, foi paga em 1999. O restante deveria ser pago este ano. DINHEIRO teve acesso a uma carta de outubro deste ano, enviada pelo ministério ao presidente da junta maranhense. Ali, são apontadas várias irregularidades, como a suspeita de superfaturamento de mais de 100% na compra de equipamentos e programas de computador, a contratação, sem licitação, da Fapeu, e pagamentos irregulares. O ministério suspendeu o repasse do pagamento da segunda parcela, de cerca de R$ 400 mil. A governadora Roseana Sarney demitiu o presidente da Junta e mandou instalar uma sindicância.

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