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Régis
Filho
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EXCLUSIVO
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O presidente Fernando Henrique responde às críticas e fala
sobre o projeto social do seu governo |
Expedito
Filho
Na
semana passada, o governo recebeu estocadas de inimigos e aliados
de que nada fez pelo social. Em um seminário, intitulado
Ataque à Pobreza, o economista-chefe para o Banco
Mundial, Joachim Von Amsberg, bateu na mesma tecla e deu o tom.
Até a primeira dama, Ruth Cardoso, pediu uma maior velocidade
nas políticas sociais. O economista Ricardo Paes de Barros,
diretor do Instituto de Pesquisas Econômica Aplicadas (Ipea),
disse que se todos os recursos para a área social fossem
lançados de um helicóptero, os pobres teriam mais
chances de recebê-los do que pelas vias atuais. Dois partidos,
o PT, de oposição, e o PFL, da base aliada, apontaram
as mesmas fragilidades do viaduto social governista. O presidente
Fernando Henrique Cardoso reagiu às críticas classificando-as
de demagogas. Em entrevista à DINHEIRO, na semana passada,
disse que nenhum outro fez tanto pelo social quanto o seu governo.
Para o presidente, na educação, saúde e reforma
agrária o governo tem dado a resposta para os problemas básicos
da população. E contra-ataca com números e
estatísticas. Afinal, ali, na ponta do lápis, quem
tem razão nesta discussão?
A
seu favor, o governo estima que até 1990 43,8% da população
brasileira era de pobres. Este número diminuiu para 32,7%
em 1998. Eram 63 milhões de pobres em 1990 contra os atuais
50,1 milhões. Na linha de indigência, onde estão
os brasileiros que não têm dinheiro sequer para a cesta
básica, estavam 21,3% da população, ou 30,8
milhões de pessoas. Uma década depois, o percentual
caiu para 13,9% de brasileiros ou para 21,4 milhões de indigentes.
O Planalto ressalva que a maior queda dos níveis de pobreza
e indigência ocorreram entre os anos de 1994 e 1996, com o
Real. É o mesmo impacto provocado pelo Cruzado, só
que com uma duração muito maior, diz o chefe
da assessoria especial de FHC, Wilmar Farias.
Nas
contas palacianas, na educação, um total de 97% das
crianças e jovens de 7 a 14 anos estão na escola.
O percentual de matrículas no ensino médio subiu de
60 a 96%. No nível superior, o acréscimo foi de 28%.
Nesse setor fizemos uma revolução. Asseguramos
educação básica para todos as crianças
brasileiras em idade escolar. Distribuímos dois milhões
de bolsas-escola, mais que qualquer outro programa empreendido no
Brasil, afirmou FHC à DINHEIRO. Na saúde, os
recursos quase duplicaram. De R$ 15 bilhões para R$ 25 bilhões.
A mortalidade infantil entre os menores de um ano caiu de 41 para
36 óbitos por mil nascidos vivos. A mudança
foi grande e para melhor. Saímos da saúde hospitalar
para uma medicina preventiva. A maior modificação
se deu com os agentes de saúde e os médicos de família,
que hoje estão espalhados por todo o País, disse
FHC. Além disso, o governo criou o Plano de Assistência
Básica (PAB), beneficiando 3.500 municípios. Para
FHC, a questão agrária é um exemplo da mudança
do eixo. O Movimento dos Sem Terra (MST), segundo o presidente,
já não discute apenas a questão da posse da
terra, mas, principalmente, o financiamento para utilizá-la.
Só o fato de o MST estar querendo mais crédito
já desmente os que dizem que não fizemos nada pelo
social. O MST não está mais brigando por terra, mas
por crédito, o que comprova que a terra já não
é mais a questão principal, diz o presidente.
Na contabilidade de FHC, o governo está distribuindo R$ 18
bilhões por ano, o que corresponde a 1,8% do PIB, em programa
de transferências de renda. São R$ 10 bilhões
para aposentadoria rural, R$ 4,5 bilhões para seguro desemprego,
R$ 0,5 bilhão do PIS-Pasep e R$ 1 bilhão para erradicação
do trabalho infantil.
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