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Onde
foi parar o comprador
Pouca gente
faz negócios pela Internet
João
Canal
As
apostas no potencial de negócios da Internet no Brasil ganharam,
na semana passada, algumas luzes e um punhado de dúvidas. Umas e
outras derivam da divulgação de novos números sobre o desempenho
do comércio eletrônico no País. O Ibope, por exemplo, revelou que
apenas 16% dos internautas fizeram compras via rede nos últimos
seis meses. Já a Fiesp, entidade representativa da indústria paulista,
apresentou os resultados de seu primeiro censo digital – uma investigação
do nível de informatização e integração à Internet entre as empresas
– e também eles demonstraram que é baixíssima a prática do e-commerce,
tanto na forma B2C, direto ao consumidor final, quanto B2B, em que
empresas negociam entre si pela Internet.
A
interrogação no ar é o que a conjunção destes números indica para
o futuro do comércio eletrônico brasileiro. “Acho o número do Ibope
até agressivo”, afirma Antônio Bonchristiano, principal executivo
do site Submarino. “Eu trabalho com universo de 8 milhões de internautas
no Brasil, dos quais apenas 10% já fizeram compras pela rede.” Para
ele, é normal que surjam, neste momento, números modestos em relação
ao comércio eletrônico no Brasil, já que a modalidade ainda é muito
recente por aqui.
Na
ponta da produção, o censo da Fiesp – ao qual responderam 17,8%
das 9.630 empresas consultadas – mostra que o comércio eletrônico
está restrito à troca de informações de negócios por e-mail, como
se a Internet apenas estivesse substituindo o fax. A entidade avalia
que os empresários não sentem ainda uma pressão real para vender
pela Internet, o que só acontecerá quando as grandes empresas passarem
a exigir a integração à rede para negociar, de controle de estoque
à emissão de faturas. “A Internet é como o telefone há 50 anos”,
comparou o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva. “Todos sabem
que esse negócio vai dar certo”. Pode ser, mas é bom tirar um pouco
o pé do acelerador.
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