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-COMMERCE

O Mercador de banda

Espanhol cria bolsa para vender acesso a redes de alta velocidade

João Canal

Bruno Schultze
MASSANER: Número de linhas em banda larga pode chegar a 3 milhões em 2004

Durante muitos anos, banda foi sinônimo de fanfarra. Nos anos 80, passou a designar os grupos de rock que na década anterior eram co-nhecidos por conjuntos. Mais recentemente, ganharam fama a “banda podre”, ala corrupta da polícia carioca, e a banda cambial, destaque após o fim da paridade entre real e dólar. Na era da Nova Economia, é a hora de outra banda fazer sucesso: trata-se da banda larga, termo que define as linhas com grande capacidade de dados e que permitem o acesso ultra-rápido à Internet. Segundo a Pyramid Research, há hoje perto de 500 mil dessas linhas no Brasil, número que deve chegar a 3 milhões em 2004. Este crescimento transformará a banda larga em mercadoria, e já tem gente se preparando para ganhar dinheiro com isso. A Latin-X, por exemplo, prepara-se para estrear em novembro a primeira bolsa de comercialização desse novo produto no País. “Este é o típico negócio que seria impensável há dois anos”, afirma Antônio Massaner, presidente da empresa. “Mas o rápido crescimento da rede e do uso de banda larga abre pers-pectivas para ele.”

Já há em todo o mundo dez empresas realizando transações no mesmo formato em que será utilizado pela Latin-X – controlada pelo grupo espanhol Iber-X. Delas, participam companhias para as quais a capacidade de transmissão de informações é parte essencial do negócio, como provedores de acesso e grandes bancos. Hoje, cerca de 85% do fornecimento de banda larga é feito pela Embratel. Os 15% restantes são divididos entre empresas como NetStream, MetroRed, ImpSat e Genuity.

A chegada da bolsa promete movimentar ainda mais a área, mudando a face desse mercado. Atualmente, quando uma empresa instala sua rede de computadores com acesso à Internet, gera um volume de tráfego de informações para dentro e para fora da sua rede. Se a rede cresce rapidamente, a velocidade do acesso tende a cair. É neste momento que a empresa vai ao mercado “comprar” banda larga. O problema é que, feita a encomenda, pode-se esperar até 30 dias para a avaliação da disponibilidade da rede mais próxima ao local, fina-lização do negócio e a entrega da mercadoria. A implantação da bolsa, que consumirá investimentos de R$ 3 milhões em cinco anos, deverá incrementar a disputa entre fornecedores, baixar preços e acelerar todo o processo. No site da bolsa (www.latin-x.com.br), o interessado anuncia, sem se identificar, quanto de banda precisa, em que região e por quanto tempo. Também anonimamente, apresentam-se os fornecedores em condições de atender ao pedido. Fechado o negócio, a bolsa leva 5% de comissão – 60% dela paga pelo vendedor e 40% pelo comprador. A Latin-X garante a entrega da “mercadoria” em 24 horas, velocidade de jato perto do que ocorre hoje.

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