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E VIVA O LUCRO!

Julio Vilela

Com resultado positivo de US$ 81 milhões no último
trimestre, o portal mostra que a Internet pode dar certo

Duda Teixeira

Investidores fecham a mão e retiram o dinheiro, a bolsa oscila diariamente, provedores de acesso gratuito fecham as portas e sites redirecionam as atividades para reduzir os custos. Se o cenário não parece muito animador, pelo menos pode-se ter o consolo de que ele não é para todos. Pelo menos, não para o Yahoo!. Na semana passada, o site americano de busca divulgou um faturamento de dar inveja a qualquer pontocom. Foram US$ 295 milhões nos últimos três meses, resultado 90% maior que o obtido no mesmo período do ano passado. O lucro chegou a US$ 81 milhões. “O Yahoo! está mais forte do que nunca”, comemora o chefe executivo Tim Koogle, que comanda de Santa Clara, na Califórnia, os negócios da empresa nos 24 países em que ela fincou pé. “E isso está refletido no nosso desempenho no último trimestre, o 16º consecutivo em que tivemos lucro.” Sim, uma empresa de Internet completa quatro anos inteiros no azul. O que ela tem que as outras não? Aparentemente, nada. O modelo de negócio do Yahoo! está baseado na venda de publicidade on-line, seguindo uma receita conservadora para o setor. Nos últimos três meses, por exemplo, os banners (retângulos de propaganda que aparecem na tela) responderam por 80% de tudo que foi arrecadado. O restante veio das transações on-line, como leilões e vendas, que, aliás, prometem alavancar as receitas em países onde as verbas publicitárias não são muito significativas, como no Brasil.

Biô Barreira
Equipe do Yahoo! Brasil

A empresa, que surgiu há cinco anos da cabeça de dois jovens universitários de Stanford, Jerry Yang e David Filo, foi a pioneira em auxiliar os navegantes a se orientar na bagunça da Internet. Com o tempo, outros papéis se somaram à idéia inicial. “Uma de nossas mais importantes funções é promover o encontro da audiência com os anunciantes”, diz Roberto Alonso, vice-presidente do Yahoo! na América Latina. Em outras palavras: vender publicidade. Segundo os executivos da firma, 40% dela vem de empresas que são pontocom puras, isto é, nasceram na Internet. O espaço que sobrou é preenchido pelas tradicionais. “Um dos últimos movimentos que estamos notando no mercado é que as antigas companhias estão investindo volumes crescentes em publicidade na Internet”, diz. “Elas são uma fonte segura e generosa de verbas de publicidade.” E o Yahoo! é um dos maiores beneficiários dessa onda por um motivo evidente: seu tamanho impressionante. Com 166 milhões de freqüentadores no mês passado, a companhia é uma das três maiores empresas de Internet, competindo com outras duas gigantes, a America Online e a Microsoft. Na Europa e no Japão, regiões em que se expandiu recentemente, o Yahoo! já é o primeiro no número de visitantes. Eles entram no site para mandar e-mails, pesquisar assuntos e ler notícias de agências internacionais. Aí está outro segredo da conta positiva no balanço da empresa. Enquanto a maioria dos portais investe em caras estruturas para nutrir o site de informações e de serviços, o Yahoo! segue uma econômica política de parcerias no setor de conteúdo.

Apesar da segurança que a publicidade dá ao Yahoo!, nos últimos anos o site tem procurado expandir negócios on-line. O leilão virtual do Yahoo! cresceu 400% no período de um ano. “É uma questão de escala”, diz Rafael Duailibi, analista de Internet do Yankee Group. “Quem coloca à venda um produto num site de leilão como o deles encontra um número muito maior de interessados.” O Yahoo! Shopping, por sua vez, tem parceiros de peso lá fora, como a livraria Barnes and Noble e a loja de departamento Macy´s. O serviço é o segundo site de compras mais visitado nos EUA, atrás do Amazon. O placar final foi que, nos países em que fincou raízes, o Yahoo! aumentou a participação dos negócios no faturamento (confira gráfico).

Seguindo a linha ditada da sede na Califórnia, o shopping deverá estrear por aqui no meio de novembro, quando o Yahoo! já terá acertado com os parceiros que irão vender os produtos. A iniciativa pretende aumentar a participação das compras no faturamento da filial brasileira, que hoje é de 10%. Outra novidade será anunciada em janeiro, quando o Yahoo! disponibilizará serviços corporativos, que incluem treinamento de pessoal para grandes empresas e o fornecimento de tecnologia para reuniões virtuais. A intenção é ganhar cadeira entre os líderes da Internet no Brasil. Por hora, o site brasileiro guarda seus resultados a sete chaves, “mas podemos dizer com segurança que a operação internacional do Yahoo! já é lucrativa”, garante Bruno Fiorentini, gerente-geral do Yahoo! Brasil.

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