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ESPECIAL

Sexta-feira, 23 de Março de 2001

TELEFONIA HI-TECH NO BRASIL

Operadoras e fabricantes de equipamentos vão investir US$ 65 bilhões até 2005 para colocar o País em linha com o futuro das telecomunicações

  Foto: Biô barreira
  Multimídia: Telefone que integra computador, TV, rádio e funciona como escritório móvel

Definir o setor que mais cresce no Brasil apenas como telefonia é o mesmo que chamar de vitrola seu aparelho de som. Talvez fosse melhor adicionar a palavra hi-tech ou rotulá-lo de tecnologia da informação. Há até a opção de parafrasear o ex-ministro Sérgio Motta e utilizar o termo telemática, tradução perfeita para a convergência entre telefones e computadores. Um exemplo do admirável mundo novo? Vem aí o telefone-computador-televisor-rádio-escritório em um único aparelho. A novidade chegará ao Japão e a Europa até o final deste ano e desembarca no Brasil após 2003. Está em teste ainda o celular que desliga a televisão, luzes ou qualquer outro equipamento da residência, que paga a passagem no metrô, tira o dinheiro do banco, filma, fotografa e transmite imagens. “Os funcionários do futuro serão móveis. Decidirão como, quando e onde trabalhar”, proclama Horst Eberl, presidente mundial da Siemens, que promete investimentos de mais de US$ 50 milhões só na fábrica de equipamentos e telefones celulares que a empresa inaugura este ano no Brasil.

Enquanto o breve futuro não chega, o País já é um enorme canteiro de obras de inovações tecnológicas. Investimentos pesados, de mais de US$ 65 bilhões, estão previstos até 2005 pelas principais operadoras e fabricantes de equipamentos de telefonia móvel e fixa. É uma festa da telefonia hi-tech. O diretor-geral da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Renato Guerreiro, lembra que o País tem o maior número de operadoras em todo o mundo: 36 entre fixas e móveis. No ano que vem, as estimativas são de que outras 35 empresas do setor, incluídas aí operadoras e companhias especializadas em transmissão de dados via cabos de fibra óptica ou por satélite, entrem em atividade no Brasil. Até mesmo fabricantes chineses, sem a menor tradição no setor, começam a desembarcar por aqui para aproveitar o filão.

Foto: Biô barreira  

Será uma farra para o consumidor. Empresas como a inglesa Logica anunciam serviços que têm o poder de localizar um carro roubado e, por celular, cortar o combustível ou bloquear as rodas. A Motorola, Siemens, Nokia, Ericsson, Alcatel e Philips prometem aparelhos que recebem e enviam imagens, músicas, voz e dados e outras informações já no início do ano que vem, quando entra em operação o padrão GSM. Para enfrentar essa concorrência, a Telesp antecipou para este ano o funcionamento da rede que aumenta em 10 vezes a velocidade dos celulares e permite que os apare-lhos recebam imagens. Outra tendência é a localização geográfica dos usuários de telefone móvel. A prática dá às operadoras a capacidade de detectar hábitos de consumo de seus clientes e enviar mensagens instantâneas sobre lojas, restaurantes etc. O serviço também pode ajudar na segurança do cliente. Polícias de países como os Estados Unidos já lançam mão da novidade em caso de seqüestros. Assustado com a invasão de privacidade? É o lado polêmico do admirável mundo novo.

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