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NEGÓCIOS

Sexta-feira, 9 de Março de 2001

NOS BASTIDORES DAS EMPRESAS

Depois de conquistar as grandes e médias companhias, a meta agora é atingir os pequenos negócios

  Foto:  Ciete Silvério
  Ronald Jongh: R$ 1,5 bilhão em créditos para 10 mil empresários

Até hoje, o Itaú foi mais conhecido como um banco forte no varejo, do que pela sua presença no mundo empresarial. Coisa do passado, segundo o presidente Roberto Setubal. Agora, a meta é mostrar que a força da marca entre os pequenos correntistas é verdadeira também para a atividade de corporate banking. Um dos principais projetos nesse campo é a criação de uma área específica para pequenas empresas, até agora atendidas nas agências. Este projeto vem somar-se à forte atuação do Itaú no segmento das grandes corporações e também no chamado middle market, onde as plataformas do Itaú Empresas oferecem atendimento especializado às médias e grandes empresas. São três áreas distintas, cada uma delas voltada para o atendimento das necessidades específicas dos clientes.

O conceito de corporate definitivamente mudou no mercado, em geral, e no Itaú, em particular. O cash management, operação que sempre foi o principal foco nessa área e a principal necessidade das grandes empresas em época de inflação alta, convive agora com os projetos de expansão. Trata-se de uma mudança ocorrida principalmente após a estabilização da economia e o desembarque maciço de grupos estrangeiros. Hoje quase não se fala apenas em gerenciamento financeiro entre os clientes empresariais da Itaucorp – uma carteira que atende a cerca de 1.000 companhias que têm faturamento superior a R$ 50 milhões. O trabalho nos bastidores desses gigantes passa também pela consultoria, elaboração e administração de novos projetos. Muitas vezes, nem um tostão sequer sai dos cofres do banco na forma da clássica atividade de financiamento e crédito. A receita vem da assessoria financeira e da prestação de serviços especializados.

Outra enorme mudança ocorreu no perfil das empresas de porte médio. O Itaú foi a primeira instituição financeira a abrir um canal diferenciado, o middle market. Isso em 2002. Agora planeja iniciar, ainda neste semestre, as operações direcionadas a empresas com faturamento acima de R$ 600 mil e menor que R$ 4 milhões. No Brasil, são cerca de 500 mil com este perfil. Hoje elas são atendidas nas agências junto a todos os outros clientes. É comum que esses empresários misturem contas pessoais com as da firma. A simplicidade dos demonstrativos contábeis é outra característica. A direção do Itaú acredita que os pequenos terão de organizar suas finanças também de olho em processos de expansão. Até mesmo em função dessas peculiaridades é que o banco estuda os detalhes do projeto.

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