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Sexta-feira, 21 de Setembro de 2001

QUEM PRECISA DE AJUDA?
Mesmo com as facilidades do home broker, investidor não abre mão da orientação do corretor

Miriam Kênia e Marta Barbosa

 

Ninguém pode negar o quanto a Internet facilitou a vida dos investidores. Possibilitou uma certa independência para fazer operações de compra e venda de papéis e até democratizou o mercado, abrindo espaço para pequenos aplicadores. Não é exagero dizer que basta um clique e a ordem de negociação entra no pregão. Muita gente acreditava que essa revolução tecnológica representaria o fim da figura do corretor. Afinal, quem ainda precisa da ajuda com o acesso tão facilitado? Hoje, um ano depois do lançamento do home broker e com quarenta corretoras on-line, a conclusão é que, por mais autonomia que a tecnologia proporcione, o contato direto com o corretor faz diferença.

“A maioria dos nossos clientes da web consulta o site e, em
seguida, liga para tirar dúvidas”, diz Clodoir Vieira, da corretora Souza Barros. Não que os sites sejam incompletos. A maioria
permite que todas as decisões aconteçam sem o corretor. “É uma característica do investidor brasileiro”, explica Betty Kitner, diretora do Financenter, site de finanças pessoais. Para qualquer investidor, vale o conselho: não adianta tentar fazer sozinho se você não se sente seguro para isso.

Biô Barreira  
Melão: independência para fazer as aplicações durou apenas seis meses  

O investidor Guilherme Melão, por exemplo, resolveu há um ano trocar o corretor pelo home broker. “Fiquei animado com a possibilidade de autonomia.” A tal independência durou apenas seis meses. Decepcionado com a defasagem de dados na rede (o atraso chega a 30 minutos), ele voltou ao velho estilo. “Senti falta do contato pessoal”, reforça Melão. Na Planner Corretora, menos de 10% dos clientes aderiram ao home broker. “A Internet brasileira ainda não é tão confiável”, afirma Marcus de Rosa, diretor da Planner. A sua sugestão é de que a web seja usada para aplicações menores e em situações corriqueiras que não necessitem de muita avaliação.

No momento atual, com tanta indefinição na economia internacional e quando tudo pode mudar em minutos, o mais adequado é manter o convencional. O advogado Márcio Takeuchi entendeu bem o significado de um corretor . Há 15 dias, antes de enviar suas ordens pela rede, resolveu conversar com o operador de mesa. Durante a ligação, o funcionário se surpreendeu e soltou a frase: “As bolsas acabaram de despencar no mundo inteiro”. Mudou a estratégia e vendeu os papéis da Telemar – um dos setores mais atingidos pelo mercado internacional – por R$ 0,90. Depois, acompanhou o valor da ação desabar até R$ 0,30, sem afetar o seu bolso. “Sem a ajuda, jamais me aventuraria em investir em ações.

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