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A MARCHA DOS JUROS
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Um
a um, em cada continente, os países foram baixando, de forma
significativa, as suas taxas de juros nos últimos dias. O
Japão chegou a recuar para insignificante 0,1% ao ano
ou 190 vezes menos que a taxa brasileira, mantida no patamar de
19% ano , mesmo sendo o Japão, no momento, uma país
em aguda crise econômica, com os bancos devendo mais de US$
600 bilhões. Alan Greenspan, o chefe do Fed, o senhor do
cofre americano, capaz de guiar tendências financeiras planeta
afora, ditou o comportamento. Pediu pessoalmente a presidentes de
BCs de todas as partes que recuassem os juros para estimular crescimento
econômico em meio ao estado de guerra. Pegou o telefone e
falou com vários deles. Pena que deixou de ligar para Armínio
Fraga, nosso correlato no BC brasileiro. Fraga não apontou
qualquer intenção de baixar juros e disse que há
muito pouco a fazer. O Brasil não tem margens.
O mundo participa de uma marcha para revitalizar a economia, para
incrementar atividade, produção e emprego, via taxas
mais amenas, e o Brasil dá de ombros. Finge que não
é com ele. É o mesmo Brasil que experimenta outro
de seus lamentáveis recordes: a dívida mobiliária,
em títulos públicos, aumentou em quase R$ 70 bilhões
neste ano e o Tesouro Nacional informou na semana passada que o
total da dívida já chega a R$ 606 bilhões,
mais de dez vezes o número com o qual o governo FHC assumiu
o leme da economia. Dessa monumental montanha muito foi acumulado
a base de juros sobre juros, que levou o Brasil a uma redenção
ao capital externo sem precedentes. Frágeis como nunca, as
contas públicas empurraram o País ao imobilismo: autoridades
econômicas temem sair do lugar, mexer na sua política,
para não espantar investidores que, por todos os motivos,
estão bem assustados e encolheram apostas nos países
emergentes. Não há taxa alta que os conquiste neste
momento. Nessa marcha de 19% inalterada, contra o fluxo de todos
os outros BC de baixarem as taxas, é mais provável
o Brasil afugentá-los.
Carlos
José Marques
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