| TASSO JEREISSATI
QUER PLANEJAR MAIS |
Presidenciável
defende crescimento da economia sem obsessão
pela estabilidade |
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Alceu
Luís Castilho
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“O
Brasil precisa de uma política intervencionista para proteger
alguns setores da economia” |
O
governador do Ceará, Tasso Jereissati, não sabe como
ficará a economia mundial após o dia 11 de setembro,
mas acredita que haverá mais espaço para se rediscutir
a inserção dos países no mundo globalizado.
Ele busca espaço na corrida para o Palácio do Planalto
com um discurso pela distribuição de renda e contra
a obsessão pela estabilidade econômica. Tem de
haver política intervencionista, definindo o que vamos produzir
e como vamos proteger determinadas áreas. O cacique
do PSDB disputa a cabeça da chapa governista contra ministros
e a mídia centrada no Sudeste, mas faz questão de
não se desvincular do governo e da origem nordestina. Sua
visão de crescimento com planejamento estratégico
inclui uma referência ao economista Celso Furtado crítico
do atual modelo e o combate à desigualdade regional
de renda. Em seminário com pré-candidatos
em São Paulo, na segunda-feira, Tasso não assumiu
que é candidato. Entre contido e ansioso, falou da hipótese
em um tom abaixo do utilizado para falar da economia brasileira.
Confira
algumas de suas idéias:
Terror
e globalização O impacto da globalização
sempre nos surpreende. Sem dúvida nenhuma os acontecimentos
de 11 de setembro, essa tragédia em tempo real, são
fenômenos da globalização. É difícil
dizer quais serão os impactos. Respeito o Armínio
Fraga, mas não dá para calcular a variação
do crescimento em relação aos 2,8% previstos. Vamos
ultrapassar todos os problemas, mas não sei como. Os acontecimentos
abrem brecha para uma discussão mais aberta sobre a globalização.
Não é questão de ser contra ou a favor dela,
mas de como administrar os interesses do País e até
influir no processo.
Alca
e Mercosul Sempre pensei que mais cedo ou mais
tarde a Área de Livre Comércio das Américas
era nosso destino. Mas depois da semana passada fiquei confuso.
As relações internacionais terão de ser repensadas.
O Mercosul é importante como fase de inserção
na economia globalizada.
Planejamento
e renda Governo e planejamento econômico
são essenciais, principalmente em um país como o Brasil.
Com a visão neoliberal, o projeto de desenvolvimento ficou
contraposto à
política do Ministério da Fazenda. As duas coisas
têm de conviver.
O planejamento deve ser estratégico, focado no combate aos
centros de pobreza, com recursos dos Ministérios da Saúde
e Educação. Como cearense, digo que a questão
passa pela diferença regional. O número de indigentes,
de analfabetos, de mortalidade infantil, tudo se concentra no Nordeste.
E a distribuição
regional de renda só foi prioridade no início dos
anos 50, quando
o Celso Furtado criou a Sudene.
Infra-estrutura
Não por culpa de um governo ou ministro,
mas, por questão histórica, o Brasil resolveu combater
a inflação. E a necessidade de planejamento estratégico
ficou para segundo plano. Qualquer governo tem de estimular o desenvolvimento
de determinadas áreas, como o setor urbano e a infra-estrutura.
Há um vício do neoliberalismo de se concentrar só
nos fundamentos macroeconômicos. O governo deve ser mais equilibrado,
com mais peso para outras políticas públicas.
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