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ECONOMIA

Sexta-feira, 21 de Setembro de 2001
TASSO JEREISSATI QUER PLANEJAR MAIS
Presidenciável defende crescimento da economia sem obsessão
pela estabilidade

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Alceu Luís Castilho

  Rafael Jacinto / Valor
  “O Brasil precisa de uma política intervencionista para proteger alguns setores da economia”

O governador do Ceará, Tasso Jereissati, não sabe como ficará a economia mundial após o dia 11 de setembro, mas acredita que haverá mais espaço para se rediscutir a inserção dos países no mundo globalizado. Ele busca espaço na corrida para o Palácio do Planalto com um discurso pela distribuição de renda e contra a obsessão pela estabilidade econômica. “Tem de haver política intervencionista, definindo o que vamos produzir e como vamos proteger determinadas áreas.” O cacique do PSDB disputa a cabeça da chapa governista contra ministros e a mídia centrada no Sudeste, mas faz questão de não se desvincular do governo e da origem nordestina. Sua visão de crescimento com planejamento estratégico inclui uma referência ao economista Celso Furtado – crítico do atual modelo – e o combate à desigualdade regional de renda. Em seminário com pré-candidatos
em São Paulo, na segunda-feira, Tasso não assumiu que é candidato. Entre contido e ansioso, falou da hipótese em um tom abaixo do utilizado para falar da economia brasileira. Confira
algumas de suas idéias:

Terror e globalização – “O impacto da globalização sempre nos surpreende. Sem dúvida nenhuma os acontecimentos de 11 de setembro, essa tragédia em tempo real, são fenômenos da globalização. É difícil dizer quais serão os impactos. Respeito o Armínio Fraga, mas não dá para calcular a variação do crescimento em relação aos 2,8% previstos. Vamos ultrapassar todos os problemas, mas não sei como. Os acontecimentos abrem brecha para uma discussão mais aberta sobre a globalização. Não é questão de ser contra ou a favor dela, mas de como administrar os interesses do País e até influir no processo.”

Alca e Mercosul – “Sempre pensei que mais cedo ou mais tarde a Área de Livre Comércio das Américas era nosso destino. Mas depois da semana passada fiquei confuso. As relações internacionais terão de ser repensadas. O Mercosul é importante como fase de inserção na economia globalizada.”

Planejamento e renda – “Governo e planejamento econômico são essenciais, principalmente em um país como o Brasil. Com a visão neoliberal, o projeto de desenvolvimento ficou contraposto à
política do Ministério da Fazenda. As duas coisas têm de conviver.
O planejamento deve ser estratégico, focado no combate aos centros de pobreza, com recursos dos Ministérios da Saúde e Educação. Como cearense, digo que a questão passa pela diferença regional. O número de indigentes, de analfabetos, de mortalidade infantil, tudo se concentra no Nordeste. E a distribuição
regional de renda só foi prioridade no início dos anos 50, quando
o Celso Furtado criou a Sudene.”

Infra-estrutura – “Não por culpa de um governo ou ministro, mas, por questão histórica, o Brasil resolveu combater a inflação. E a necessidade de planejamento estratégico ficou para segundo plano. Qualquer governo tem de estimular o desenvolvimento de determinadas áreas, como o setor urbano e a infra-estrutura. Há um vício do neoliberalismo de se concentrar só nos fundamentos macroeconômicos. O governo deve ser mais equilibrado, com mais peso para outras políticas públicas.”

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