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Sexta-feira, 6 de Setembro de 2001
NASCE UM GIGANTE
HP oferece US$ 25 bilhões pela Compaq e cria uma potência no mercado mundial de tecnologia

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Ivan Martins e Duda Teixeira

 
  Carly Fiorina: a nova HP venderá dois em cada três PCs nos EUA

Por essa ninguém esperava. Carly Fiorina, a exuberante executiva da Hewlett-Packard, lancetou a crise da sua empresa perpetrando uma ousadia: comprou a Compaq por US$ 25 bilhões, criando o maior fabricante mundial de computadores pessoais. Totalmente inesperada, ainda cercada de dúvidas, a fusão anunciada na noite da segunda-feira, 3, produziu números de tirar o fôlego. A nova megaempresa, que será chamada de HP, terá um faturamento de US$ 87 bilhões. Seus funcionários serão cerca de 145 mil, seus lucros estarão por volta de US$ 4 bilhões e seus produtos vão liderar uma gama impressionante de segmentos de mercado: impressoras, servidores, computadores de mão e sistemas de armazenamento de dados, entre outros. A nova HP tem, sozinha, quase dois terços da venda americana de PCs e uma fatia de 18% da torta mundial, de 300 milhões de unidades/ano. É como se do dia para a noite uma montanha tivesse se erguido em meio ao Vale do Silício, modificando toda a paisagem. Ou como se uma nova estrela, gigantesca, tivesse brotado repentinamente no horizonte. “A fusão fará de nós um competidor mais efetivo e um parceiro mais eficiente. Daremos o rumo da indústria de tecnologia nos próximos anos”, disse Fiorina, que será a principal executiva da organização, secundada por Michael Capellas, presidente da Compaq. “Quem não acredita nisso, fique olhando”, disse ela.

 
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Haverá muita gente de olho, inclusive no Brasil. Aqui, as duas marcas têm boa penetração e atuam de forma concorrente em vários segmentos de mercado. Mas enquanto a Compaq lidera na área de PCs, (no qual a HP faz papel de figurante), sua nova parceira domina sobranceira as vendas de impressoras. No ano passado, a HP, comandada aqui por Carlos Ribeiro, faturou no Brasil cerca de R$ 1,7 bilhão, com lucro de R$ 40 milhões. Os analistas dizem que nos últimos meses as duas empresas vinham convergindo sobre um mesmo mercado, o de serviços corporativos, no qual se pode vender máquinas, programas e consultoria com preços mais altos do que nas lojas. Juntas, HP e Compaq poderão competir de forma mais eficiente com a IBM, que tem extraído uma parte crescente do seu faturamento brasileiro com a gestão tecnológica das empresas. Se terão ou não sucesso nessa empreitada ainda está em aberto, mas é certo que uma parte importante dessa fusão será decidida no Brasil, o maior mercado da América Latina e um dos poucos no mundo com porcentuais elevados de crescimento. “Este ano o mercado brasileiro vai crescer 14%”, prevê Bruno Rossi, analista do IDC brasileiro. “Comparado ao resto do mundo, o potencial é enorme.”

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