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ECONOMIA / CAPA

Sexta-feira, 31 de Agosto de 2001
EXCLUSIVO
DANIEL VENCEU
O dono do Opportunity recebe o aval do Citibank e parte para o ataque na briga contra os fundos de pensão e sócios estrangeiros

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Carlos José Marques e Leonardo Attuch

 

Daniel Dantas, o investidor baiano dos mil e um negócios, está boiando de costas na cadeira Giroflex da sala de reuniões. É início de noite da quarta-feira passada, no Rio, o céu está nublado, o centro congestionado, o barulho estressante, mas Dantas sente-se muito bem com a vida. É quando seu braço-direito, Luís Octavio da Motta Veiga – ex-presidente da Petrobras e CVM, agora tocando a holding Brasil Telecom, em nome de Dantas – o provoca, dizendo: “Conta aquela da qualidade de vida”. O financista solta uma risada, viajando na memória. Tempos atrás, Andrea Calabi, ex-presidente do BNDES, hoje conselheiro dos italianos que brigam com Dantas, o procurou com uma premissa e uma proposta. Iniciou Calabi: “O objetivo do trabalho é qualidade de vida”. E, como a insinuar que a vida do banqueiro estava um inferno com tanta disputa, sapecou: “Venda a nós sua participação na Brasil Telecom”. Dantas não deixou barato: “Se eu quisesse qualidade de vida, teria ficado na Bahia, debaixo de um coqueiro”.

Não foi a primeira das pressões sobre Dantas. Meses antes, em um encontro no Copacabana Palace, no Rio, com o capo da Telecom Italia, Roberto Colaninno, ouviu um ultimato. “Posso manter a empresa (Brasil Telecom, onde ambos eram sócios) com desempenho inadequado, para depois obter o controle”, teria dito. Dantas considerou uma declaração de guerra. Registrou a ameaça na justiça americana e deixou-a sob custódia do Citibank, na matriz americana. As relações com os italianos ficaram difíceis até a compra recente da Telecom Italia pela Pirelli, e a simultânea queda de Colaninno – hoje investigado pela polícia italiana, entre outras acusações, por gastar mal o dinheiro da empresa. Com o novo parceiro Pirelli, Dantas vislumbra um futuro dourado.

Não seria esse o único motivo para seus sorrisos de ultimamente. Dantas também recebeu a confirmação de que mantém um aliado que, na prática, pesa mais do que todos os oponentes. Diretamente de Nova York, o Citibank tornou público na semana passada seu apoio ao Opportunity, como gestor de seus investimentos em telefonia no País. Com a posição expressa pelo Citi, seus adversários têm todo o direito de não gostar, podem espernear, mas está sacramentado o seu papel de gerente de grandes tacadas. Há quatro anos, quando o Citibank decidiu constituir um fundo, o Citi Venture Capital (CVC), para investir pesado no Brasil, o Opportunity ganhou a preferência do banco americano e um volume de investimentos de US$ 700 milhões. Veio a privatização e, em associação com os fundos de pensão, que colocaram outros US$ 700 milhões, e com operadoras internacionais, o Opportunity adquiriu a Brasil Telecom e a Telpart (que controla a Telemig Celular e a Tele Norte Celular). O grupo de Dantas edificou uma sofisticada e ampla teia de negócios que teve, segundo Dantas, um destino comum: o lucro. Ele diz que, desde 1997, quando foi dado o pontapé inicial, até aqui, várias comissões de sócios se debruçaram sobre a numeralha de participações e resultados e nenhuma delas conseguiu encontrar um escasso motivo para insatisfação neste pormenor. Assim sendo, qualquer parceiro com pendor algébrico deveria estar contabilizando, na ponta do lápis, os dividendos, ao invés de caçoar da sorte. Mas, surpreendentemente, nos últimos tempos, os sócios passaram a disputar o controle das companhias dirigidas pelo Opportunity, em dezenas de processos judiciais.

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