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DANIEL VENCEU |
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dono do Opportunity recebe o aval do Citibank e parte para o
ataque na briga contra os fundos de pensão e sócios estrangeiros |
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Carlos
José Marques e Leonardo Attuch
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Daniel
Dantas, o investidor baiano dos mil e um negócios, está
boiando de costas na cadeira Giroflex da sala de reuniões.
É início de noite da quarta-feira passada, no Rio,
o céu está nublado, o centro congestionado, o barulho
estressante, mas Dantas sente-se muito bem com a vida. É
quando seu braço-direito, Luís Octavio da Motta Veiga
ex-presidente da Petrobras e CVM, agora tocando a holding
Brasil Telecom, em nome de Dantas o provoca, dizendo: Conta
aquela da qualidade de vida. O financista solta uma risada,
viajando na memória. Tempos atrás, Andrea Calabi,
ex-presidente do BNDES, hoje conselheiro dos italianos que brigam
com Dantas, o procurou com uma premissa e uma proposta. Iniciou
Calabi: O objetivo do trabalho é qualidade de vida.
E, como a insinuar que a vida do banqueiro estava um inferno com
tanta disputa, sapecou: Venda a nós sua participação
na Brasil Telecom. Dantas não deixou barato: Se
eu quisesse qualidade de vida, teria ficado na Bahia, debaixo de
um coqueiro.
Não
foi a primeira das pressões sobre Dantas. Meses antes, em
um encontro no Copacabana Palace, no Rio, com o capo da Telecom
Italia, Roberto Colaninno, ouviu um ultimato. Posso manter
a empresa (Brasil Telecom, onde ambos eram sócios) com desempenho
inadequado, para depois obter o controle, teria dito. Dantas
considerou uma declaração de guerra. Registrou a ameaça
na justiça americana e deixou-a sob custódia do Citibank,
na matriz americana. As relações com os italianos
ficaram difíceis até a compra recente da Telecom Italia
pela Pirelli, e a simultânea queda de Colaninno hoje
investigado pela polícia italiana, entre outras acusações,
por gastar mal o dinheiro da empresa. Com o novo parceiro Pirelli,
Dantas vislumbra um futuro dourado.
Não
seria esse o único motivo para seus sorrisos de ultimamente.
Dantas também recebeu a confirmação de que
mantém um aliado que, na prática, pesa mais do que
todos os oponentes. Diretamente de Nova York, o Citibank tornou
público na semana passada seu apoio ao Opportunity, como
gestor de seus investimentos em telefonia no País. Com a
posição expressa pelo Citi, seus adversários
têm todo o direito de não gostar, podem espernear,
mas está sacramentado o seu papel de gerente de grandes tacadas.
Há quatro anos, quando o Citibank decidiu constituir um fundo,
o Citi Venture Capital (CVC), para investir pesado no Brasil, o
Opportunity ganhou a preferência do banco americano e um volume
de investimentos de US$ 700 milhões. Veio a privatização
e, em associação com os fundos de pensão, que
colocaram outros US$ 700 milhões, e com operadoras internacionais,
o Opportunity adquiriu a Brasil Telecom e a Telpart (que controla
a Telemig Celular e a Tele Norte Celular). O grupo de Dantas edificou
uma sofisticada e ampla teia de negócios que teve, segundo
Dantas, um destino comum: o lucro. Ele diz que, desde 1997, quando
foi dado o pontapé inicial, até aqui, várias
comissões de sócios se debruçaram sobre a numeralha
de participações e resultados e nenhuma delas conseguiu
encontrar um escasso motivo para insatisfação neste
pormenor. Assim sendo, qualquer parceiro com pendor algébrico
deveria estar contabilizando, na ponta do lápis, os dividendos,
ao invés de caçoar da sorte. Mas, surpreendentemente,
nos últimos tempos, os sócios passaram a disputar
o controle das companhias dirigidas pelo Opportunity, em dezenas
de processos judiciais.
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