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FINANÇAS/CAPA

Sexta-feira, 10 de Agosto de 2001
EXCLUSIVO
O PLANO SANTANDER
Banco espanhol quer usar o Banespa para virar o primeiro
do ranking. Em oito meses, já ganhou 300 mil clientes e vendeu
mais seguros que em 40 anos

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Marcelo Aguiar

Bió Barreira
Gabriel Jaramillo, presidente: “Está sendo divertido. Se é fácil quando os concorrentes atacam, imagine em tempos de paz”

Com seu bigode bem cuidado, ternos de corte impecável, uma arrogância sutil no trato e uma ironia afiada no discurso, o colombiano Gabriel Jaramillo parece um hierarca saído dos romances de seu compatriota, Gabriel Garcia Márquez. Presidente do Santander no Brasil, ele comandou a compra do Banespa no ano passado, por R$ 7,05 bilhões. Depois de oito meses dando expediente dia sim, dia não no banco que adquiriu, ele tem uma sugestão para um livro de realismo mágico: As lendas do Banespa. “O mercado dizia que esta casa era frágil, moribunda, e depois da privatização seria devorada pela concorrência. Em oito meses, ganhamos 300 mil novos clientes e já temos lucro”, festeja ele. “Francamente, está sendo divertido. Se é assim que funciona sob ataque, imagino como será em tempo de paz.” Jaramillo quer usar a marca paulista como cabeça de ponte para montar a maior instituição financeira do País. Determinou que Banespa será a marca de varejo em São Paulo, enquanto Santander será o nome usado no atacado e nos outros Estados – inclusive o Rio Grande do Sul, onde a bandeira Meridional desaparecerá. Até 2003, prevê ele, o banco privatizado dará lucro de US$ 750 milhões. E o investimento será pago em menos do que os dez anos inicialmente previstos.

A instituição espanhola, no Brasil, está na situação do peixe que engoliu uma baleia. O corpo do Banespa é incrivelmente maior
que aquele que o Santander possuía por aqui, com quatro vezes mais correntistas. Por isso, o centro de sua estratégia no País é o banco paulista. Até porque é nele que estão as oportunidades. Depois de cinco anos de letargia, sob intervenção federal, seus 3,8 milhões de clientes usam uma quantidade muito pequena de serviços. O alvo principal de Jaramillo é aumentar muito (e rapidamente) essa média. Em sete meses, de dezembro a junho passado, o banco vendeu mais apólices de seguros do que em 40 anos de história. Foram quase 500 mil novos contratos.

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