| SHOW
DE LUCROS NOS BANCOS |
| Itaú
e Bradesco dão início a uma supersafra de resu ltados recordes,
mostrando que ganharam em tamanho e eficiência. E que o sistema
financeiro se concentra cada vez mais |
Ernesto
Bernardes
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Setúbal,
do Itaú: ganho de R$ 1,45 bilhão no semestre, mais que a
Nike em um ano |
Na
segunda-feira passada o Bradesco convocou os analistas de mercado
para anunciar seu desempenho no primeiro semestre. Surpreendeu-os
com um lucro de R$ 1,042 bilhão, equivalente ao resultado
anual do National Bank of Canada, que tem quase o dobro do seu tamanho.
Conseguimos criar um mix de rentabilidade de várias
fontes diferentes, e estamos abrindo mais de uma agência por
semana, resumiu a DINHEIRO o presidente do banco, Marcio Cypriano.
No dia seguinte, foi a vez do Itaú assombrar os especialistas.
Revelou que havia ganho R$ 1,45 bilhão, o correspondente
ao que embolsa no mesmo período o HypoVereinsbank, segundo
maior banco da Alemanha. Parte de nosso lucro foi excepcional,
mas cerca de R$ 1 bilhão é recorrente, pode ser tomado
como desempenho normal
do banco, afirmou à DINHEIRO o presidente Roberto Setúbal.
É o terceiro ano consecutivo em que o ritual dos números
se
repete com o mesmo roteiro e com cifras cada vez maiores.
Nas primeiras edições o mercado se perguntava se novidades
como essas iriam se repetir, ou se não passavam de uma feliz
coincidência. Agora, não há mais dúvida.
Os bancos brasileiros subiram um degrau na escala do capitalismo
global. São muito maiores do que eram no início da
década. E, diferente do que costuma acontecer, a engorda
os tornou mais eficientes. A rentabilidade mediana passou
de 16,9% para 21,8% em um ano. Acho difícil que haja outro
sistema no mundo com essa rentabilidade, diz Erivelto Rodrigues,
da Austin Asis consultoria.
Quando
se chega à casa dos bilhões, os números parecem
tão distantes da realidade que fica difícil entender
o que eles significam. Por isso, vale fazer algumas comparações
para entender a posição dos bancos brasileiros no
mapa do dinheiro. O resultado semestral do Itaú é
maior que os lucros anuais da Nike ou da holding LVMH (Louis Vuitton
Moët Hennessy, o maior grupo de produtos de luxo do planeta).
Vale também por três anos de lucratividade do Perez
Companc, o maior grupo industrial argentino. Ou seja, são
números assombrosos qualquer que seja a escala utilizada
para medi-los. E, se os líderes de mercado saltaram de tamanho,
aqueles que ficam atrás no ranking também mostraram
serviço, embora em proporções menores. O Banespa,
recém-privatizado e que acaba de passar por um plano de demissão
voluntária, exibiu um lucro de R$ 235 milhões, mais
do que o previsto. Ganhamos 300 mil novos correntistas,
festeja o vice-presidente Pedro Coutinho.
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