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ECONOMIA/CAPA

Sexta-feira, 3 de Agosto de 2001
SHOW DE LUCROS NOS BANCOS
Itaú e Bradesco dão início a uma supersafra de resu ltados recordes, mostrando que ganharam em tamanho e eficiência. E que o sistema financeiro se concentra cada vez mais

Ernesto Bernardes

  Ciete Silvério
  Setúbal, do Itaú: ganho de R$ 1,45 bilhão no semestre, mais que a Nike em um ano

Na segunda-feira passada o Bradesco convocou os analistas de mercado para anunciar seu desempenho no primeiro semestre. Surpreendeu-os com um lucro de R$ 1,042 bilhão, equivalente ao resultado anual do National Bank of Canada, que tem quase o dobro do seu tamanho. “Conseguimos criar um mix de rentabilidade de várias fontes diferentes, e estamos abrindo mais de uma agência por semana”, resumiu a DINHEIRO o presidente do banco, Marcio Cypriano. No dia seguinte, foi a vez do Itaú assombrar os especialistas. Revelou que havia ganho R$ 1,45 bilhão, o correspondente ao que embolsa no mesmo período o HypoVereinsbank, segundo maior banco da Alemanha. “Parte de nosso lucro foi excepcional, mas cerca de R$ 1 bilhão é recorrente, pode ser tomado como desempenho normal
do banco”, afirmou à DINHEIRO o presidente Roberto Setúbal.
É o terceiro ano consecutivo em que o ritual dos números se
repete com o mesmo roteiro – e com cifras cada vez maiores.
Nas primeiras edições o mercado se perguntava se novidades
como essas iriam se repetir, ou se não passavam de uma feliz coincidência. Agora, não há mais dúvida. Os bancos brasileiros subiram um degrau na escala do capitalismo global. São muito maiores do que eram no início da década. E, diferente do que costuma acontecer, a engorda os tornou mais eficientes. “A rentabilidade mediana passou de 16,9% para 21,8% em um ano. Acho difícil que haja outro sistema no mundo com essa rentabilidade”, diz Erivelto Rodrigues, da Austin Asis consultoria.

Quando se chega à casa dos bilhões, os números parecem tão distantes da realidade que fica difícil entender o que eles significam. Por isso, vale fazer algumas comparações para entender a posição dos bancos brasileiros no mapa do dinheiro. O resultado semestral do Itaú é maior que os lucros anuais da Nike ou da holding LVMH (Louis Vuitton Moët Hennessy, o maior grupo de produtos de luxo do planeta). Vale também por três anos de lucratividade do Perez Companc, o maior grupo industrial argentino. Ou seja, são números assombrosos qualquer que seja a escala utilizada para medi-los. E, se os líderes de mercado saltaram de tamanho, aqueles que ficam atrás no ranking também mostraram serviço, embora em proporções menores. O Banespa, recém-privatizado e que acaba de passar por um plano de demissão voluntária, exibiu um lucro de R$ 235 milhões, mais do que o previsto. “Ganhamos 300 mil novos correntistas”, festeja o vice-presidente Pedro Coutinho.

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