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NEGÓCIOS/CAPA

Sexta-feira, 27 de Julho de 2001
COMO O CLÃ ODEBRECHT TRIUNFOU
Os lances da briga q ue levou o grupo baiano a vencer
o rival Ultra e arrematar a Copene

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Joaquim Castanheira

 
Linhagem de empreendedores: a aquisição foi o maior feito nos 56 anos dos Odebrecht: o patriarca Emílio (no quadro), Emílio (neto) e Norberto

Quarta-feira, 25 de julho. Minutos depois de encerrado o leilão no qual arrematou o controle da Copene por R$ 785 milhões, um grupo de 10 executivos da Odebrecht, capitaneados pelo próprio Emílio Odebrecht, reuniu-se para um almoço comemorativo. Um dos presentes estava prestes a estourar um champanhe quando um de seus colegas, Marcelo, filho de Emílio, o interrompeu. “Não”, disse. “Comemorações só quando estivermos com as ações nas mãos.” Pode haver aí excesso de preocupação ou até certa dose de superstição baiana, mas a verdade é que, àquela altura, os senhores engravatados reunidos em um moderno edifício na marginal do Rio Pinheiros em São Paulo comandavam o maior grupo petroquímico da América Latina. A cena também simbolizava mais uma, e talvez a maior, vitória do clã Odebrecht em sua longa história de 56 anos.

Bem que os executivos precisavam de um drinque. Nos últimos quatro meses, eles estiveram mergulhados em uma maratona de negociações com bancos, conversas com autoridades e atritos com os concorrentes para abocanhar o controle da Copene.

 
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A partir de agora, todos os números serão grandiosos quando o assunto for Odebrecht. Quando somar a Nova Copene às demais operações na área petroquímica, como a gaúcha Copesul, surgirá um colosso de R$ 11 bilhões anuais de receita. Cerca de 51% do PVC produzido no Brasil sairá de suas plantas. Quase 40% de polipropileno e 29% de polietileno, matérias-primas para a indústria de plástico, levarão a marca baiana. Nos próximos dois a três anos, o volume de investimentos para a produção de resinas plásticas baterá em US$ 800 milhões. Outro US$ 1 bilhão será consumido na implantação de uma cadeia de fabricação de poliéster. Com essa musculatura extra, o Grupo Odebrecht, dono ainda de uma empreiteira e de outros negócios, saltaria para um faturamento próximo de R$ 15 bilhões e cerca de 50 mil funcionários. Assim, passaria a ombrear com os maiores gigantes do capital privado nacional, como a Telemar, a Votorantim e a AmBev.

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