| COMO O CLÃ
ODEBRECHT TRIUNFOU |
Os lances
da briga q ue levou o grupo baiano a vencer
o rival Ultra e arrematar a Copene |
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Joaquim
Castanheira
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Linhagem
de empreendedores: a aquisição foi o maior feito nos 56
anos dos Odebrecht: o patriarca Emílio (no quadro), Emílio (neto)
e Norberto |
Quarta-feira,
25 de julho. Minutos depois de encerrado o leilão no qual
arrematou o controle da Copene por R$ 785 milhões, um grupo
de 10 executivos da Odebrecht, capitaneados pelo próprio
Emílio Odebrecht, reuniu-se para um almoço comemorativo.
Um dos presentes estava prestes a estourar um champanhe quando um
de seus colegas, Marcelo, filho de Emílio, o interrompeu.
Não, disse. Comemorações
só quando estivermos com as ações nas mãos.
Pode haver aí excesso de preocupação ou até
certa dose de superstição baiana, mas a verdade é
que, àquela altura, os senhores engravatados reunidos em
um moderno edifício na marginal do Rio Pinheiros em São
Paulo comandavam o maior grupo petroquímico da América
Latina. A cena também simbolizava mais uma, e talvez a maior,
vitória do clã Odebrecht em sua longa história
de 56 anos.
Bem
que os executivos precisavam de um drinque. Nos últimos quatro
meses, eles estiveram mergulhados em uma maratona de negociações
com bancos, conversas com autoridades e atritos com os concorrentes
para abocanhar o controle da Copene.
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A partir
de agora, todos os números serão grandiosos quando
o assunto for Odebrecht. Quando somar a Nova Copene às demais
operações na área petroquímica, como
a gaúcha Copesul, surgirá um colosso de R$ 11 bilhões
anuais de receita. Cerca de 51% do PVC produzido no Brasil sairá
de suas plantas. Quase 40% de polipropileno e 29% de polietileno,
matérias-primas para a indústria de plástico,
levarão a marca baiana. Nos próximos dois a três
anos, o volume de investimentos para a produção de
resinas plásticas baterá em US$ 800 milhões.
Outro US$ 1 bilhão será consumido na implantação
de uma cadeia de fabricação de poliéster. Com
essa musculatura extra, o Grupo Odebrecht, dono ainda de uma empreiteira
e de outros negócios, saltaria para um faturamento próximo
de R$ 15 bilhões e cerca de 50 mil funcionários. Assim,
passaria a ombrear com os maiores gigantes do capital privado nacional,
como a Telemar, a Votorantim e a AmBev.
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