| A ERA DA TV
DIGITAL |
| Começa
no brasil a corrida de emissoras, indústrias e governo por um
mercado de US$ 100 bilhões |
 |
|
|
Juliana
Simão
| |
 |
| |
Goya,
da Sony: convergência de serviços atrai a gigante japonesa |
A
imagem é de cinema. O som é de CD. E serão
até 6.400 canais. De um sofá, o telespectador vai
assistir a programas em alta definição, baixar jogos
para computador, escutar música, comprar produtos de comerciais
interativos e até checar e-mails. Isso tudo, movendo apenas
um dedo sobre o controle remoto. É a era da tevê personalizada.
Torcedores escolherão o melhor ângulo para ver o gol
de seu time. Meninas optarão pelo lado mais bonito de seu
ator preferido. E até sua mãe poderá decidir
quem fica com a mocinha na novela. Esta história pode ser
contada sob vários ângulos, mas o que desperta o interesse
de governos, emissoras, empresas de telecomunicação
e de eletrônicos é um só: trata-se do maior
negócio desde que a televisão ganhou cores, em 1954.
Uma operação que deve movimentar US$ 100 bilhões.
O valor foi divulgado pelo ministro das Comunicações,
Pimenta da Veiga, e toma como base a troca dos 60 milhões
de televisores existentes e mais um crescimento de 30 milhões
de aparelhos ao longo da década exagerado, levando-se
em conta que, em 2000, o brasileiro
comprou 5,5 milhões de tevês. Se vendidos a um preço
de
US$ 1 mil (o equipamento digital deve chegar a este valor),
o mercado movimentaria tal soma. Sem contar investimentos de emissoras,
em linhas de produção em Manaus e a oportunidade ilimitada
de negócios ligados à tevê hi-tech. US$ 100
bilhões
pode ser só o começo.
Um
exemplo deste potencial pode ser visto numa rápida visita
aos Estados Unidos. Lá, a televisão digital existe
desde 1998. A Consumer Electronics Association (CEA), que reúne
300 fabricantes, contabiliza a venda de 625 mil equipamentos em
2000. Em 2001 vamos faturar US$ 2,16 bilhões,
garante Jeff Joseph, vice-presidente da CEA. Hoje, operam 200 canais
digitais e, até maio de 2002, todos os 1.600 canais deverão
estar digitalizados. Nas grandes cidades, tevê digital
é realidade, diz John Taylor, vice-presidente da Zenith
Electronics. Segundo ele, a adesão está acima do esperado:
Cerca de 70% das residências têm pelo menos um
canal digital. A CBS saiu na frente. Sua afiliada Capitol
Broadcasting Company (CBC) foi a primeira rede do mundo a transmitir
sinais da nova tecnologia. Há cinco anos, investiu US$ 25
milhões em infra-estrutura e hoje faz tudo em alta definição.
Hoje, somos uma empresa de multimídia, comemora
John Greene, vice-presidente da CBC. A emissora também investiu
em novos negócios. Desenvolveu um pay-per-view, em que os
filmes podem ser baixados
da tela. Criou a Enhanced TV, que permite escolher ângulos
de câmeras. Transmissão é o nosso negócio,
mas aprendemos
a fazer dinheiro de outras formas.
Próxima
>>
|