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NEGÓCIOS/CAPA

Sexta-feira, 20 de Julho de 2001
A ERA DA TV DIGITAL
Começa no brasil a corrida de emissoras, indústrias e governo por um mercado de US$ 100 bilhões

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Juliana Simão

  Tony Stony e Ciete Silvério/Fotomontagem: Décio D’ Almeida
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A imagem é de cinema. O som é de CD. E serão até 6.400 canais. De um sofá, o telespectador vai assistir a programas em alta definição, baixar jogos para computador, escutar música, comprar produtos de comerciais interativos e até checar e-mails. Isso tudo, movendo apenas um dedo sobre o controle remoto. É a era da tevê personalizada. Torcedores escolherão o melhor ângulo para ver o gol de seu time. Meninas optarão pelo lado mais bonito de seu ator preferido. E até sua mãe poderá decidir quem fica com a mocinha na novela. Esta história pode ser contada sob vários ângulos, mas o que desperta o interesse de governos, emissoras, empresas de telecomunicação e de eletrônicos é um só: trata-se do maior negócio desde que a televisão ganhou cores, em 1954. Uma operação que deve movimentar US$ 100 bilhões. O valor foi divulgado pelo ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, e toma como base a troca dos 60 milhões de televisores existentes e mais um crescimento de 30 milhões de aparelhos ao longo da década – exagerado, levando-se em conta que, em 2000, o brasileiro
comprou 5,5 milhões de tevês. Se vendidos a um preço de
US$ 1 mil (o equipamento digital deve chegar a este valor),
o mercado movimentaria tal soma. Sem contar investimentos de emissoras, em linhas de produção em Manaus e a oportunidade ilimitada de negócios ligados à tevê hi-tech. US$ 100 bilhões
pode ser só o começo.

Um exemplo deste potencial pode ser visto numa rápida visita aos Estados Unidos. Lá, a televisão digital existe desde 1998. A Consumer Electronics Association (CEA), que reúne 300 fabricantes, contabiliza a venda de 625 mil equipamentos em 2000. “Em 2001 vamos faturar US$ 2,16 bilhões”, garante Jeff Joseph, vice-presidente da CEA. Hoje, operam 200 canais digitais e, até maio de 2002, todos os 1.600 canais deverão estar digitalizados. “Nas grandes cidades, tevê digital é realidade”, diz John Taylor, vice-presidente da Zenith Electronics. Segundo ele, a adesão está acima do esperado: “Cerca de 70% das residências têm pelo menos um canal digital.” A CBS saiu na frente. Sua afiliada Capitol Broadcasting Company (CBC) foi a primeira rede do mundo a transmitir sinais da nova tecnologia. Há cinco anos, investiu US$ 25 milhões em infra-estrutura e hoje faz tudo em alta definição. “Hoje, somos uma empresa de multimídia”, comemora John Greene, vice-presidente da CBC. A emissora também investiu em novos negócios. Desenvolveu um pay-per-view, em que os filmes podem ser baixados
da tela. Criou a Enhanced TV, que permite escolher ângulos de câmeras. “Transmissão é o nosso negócio, mas aprendemos
a fazer dinheiro de outras formas.”

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