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PARA
ONDE VAI O MAURO DA MICROSOFT
Depois
de nove anos “no front”, ele agora vai cuidar da imagem
da empresa na AL
Ivan
Marins
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Mauro
Muratório Not, o principal executivo da Microsoft no Brasil,
costuma dizer que a empresa na qual ele trabalha é pequena.
Contra todas as evidências, sustenta que vista por dentro
a companhia de Bill Gates não é o gigante que o mercado
se acostumou a temer. É uma tese exótica, parece bobagem,
mas Mauro tem alguma razão em defendê-la. Há
16 anos na companhia, ele viu a Microsoft se transformar de mera
empresa local na maior potência mundial do setor. O executivo
brasileiro conhece fraternalmente os manda-chuvas da companhia e
é bem conhecido por todos eles. Já encheu a cara com
Gates na Europa, já viajou com o chefe em férias na
Amazônia e foi o Jaguar de Gates que arrebentou o seu primeiro
carrão americano, em 1988, no estacionamento da Microsoft
em Redmond. Por conta dessa familiaridade, Mauro é recebido
com mulher e filhas na famosa mansão de Gates, pela família
completa do patrão. Tudo bem que o sujeito é o homem
mais rico do mundo e que a empresa que ele comanda está a
caminho de comprar o universo, mas para Mauro ele é o Bill.
E a Microsoft é quase família. Para mim não
existe outra companhia, diz o gaúcho emotivo. Da
Microsoft eu só saio para a minha casa.
Na
semana passada, ele surpreendeu o mercado ao avisar que estava saindo.
Não da Microsoft, que ele declaradamente ama, mas da direção
da empresa no Brasil, que ocupa há oito anos. De agora em
diante, o ex-sobrinho pobre do falecido Matias Machline será
o diretor de Estratégia para a América Latina, com
jurisdição do México à Patagônia.
A função foi criada há seis meses e caiu como
luva nos planos do executivo de 41 anos. Eu estava na trincheira
há nove anos, cuidando todos os dias das vendas e do marketing.
Já era hora de mudar, diz ele. Na gestão de
Mauro o faturamento da empresa no Brasil saltou de US$ 18 milhões
para US$ 438 milhões. O nome do seu substituto ainda não
foi escolhido, mas nos corredores da empresa em São Paulo
dão-se como certas duas coisas: que será alguém
da Microsoft, claro, mas que ele ou ela não virá da
equipe brasileira. No páreo estão executivos europeus
e latino-americanos, que falem português. Mas o próprio
Mauro não desmente e nem confirma essas informações.
O nome do novo gerente-geral será anunciado esta semana,
informa.
O
que Mauro fará de agora em diante, no continente todo, é
algo que ele não tinha tempo para fazer como o principal
executivo da empresa no Brasil: cuidar da imagem da Microsoft, explicar
sua estratégia tecnológica e conseguir parceiros locais
para implementá-la. Os gerentes-gerais não têm
tempo nem para se coçar, diz o novo diretor latino-
americano. A imagem e a estratégia da companhia sofrem
com isso. Duas coisas o preocupam em particular. A primeira
é a tecnologia .net, uma tentativa da Microsoft de abrigar
sob o seu guarda-chuva toda a comunicação entre máquinas
realizada através da Internet. A idéia é que
os computadores e outros aparatos falem entre si e automatizem funções,
usando programas Microsoft. Essa nova visão implica grandes
mudanças conceituais e técnicas, que têm de
ser vendidas ao mercado. Quero criar o novo círculo
virtuoso da Microsoft e fazer com que desta vez ela seja melhor
entendida, diz Mauro. A outra preocupação, que
vai de mão dada com a primeira, é aprofundar as relações
com empresas, universidades e governos em cada país. Ao contrário
do que acontece com os programas convencionais de PCs, que são
produzidos em Redmond e despachados para o resto do planeta, a nova
tecnologia Internet precisa de muita interação local.
É a oportunidade da Microsoft para fazer parcerias e aumentar
seus investimentos na América Latina, retocando a imagem
de predadora que prevalece em muitos mercados, inclusive no Brasil.
A Microsoft não pode mais se dar ao luxo de descuidar
da imagem, diz Mauro. Agora eu vou ter tempo para cuidar
disso.
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