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NEGÓCIOS / CAPA

Sexta-feira, 29 de Junho de 2001
INDO ALÉM DOS LIMITES
Estes senhores saíram do zero, ergueram impérios
empresariais e fizeram fortunas

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Paula Pacheco, Darcio Oliveira e Ivan Martins

De zero a cem quilômetros por hora em 4, 6, 8 segundos. A indústria automobilística costuma usar esse parâmetro para mostrar a excelência de suas máquinas. Quanto menor o tempo, mais potente é o carro. Transportando a expressão para o mundo empresarial, poderíamos adaptá-la a algo como “de zero a milhões ou bilhões de reais de faturamento”. O tempo é o que menos importa neste caso. Vale a fórmula de como a fortuna foi feita. Nas próximas páginas, você verá exemplos de potentes empreendedores que saíram do
zero e construíram impérios. São antigos engraxates, feirantes e cobradores de ônibus que alcançaram sucesso corporativo
partindo de um capital modesto, muito suor e alguma dose de
sorte. São personagens que seguiram a cartilha de empresários
como o ex-camelô Silvio Santos ou o ex-feirante José Cutrale. Alguns, fundadores de companhias com grande poder financeiro como o Grupo Martins e a Coteminas. Outros, mais modestos,
como os donos da rede Drogamed e dos supermercados Estrela D’alva. Nada contra herdeiros, mas a trajetória de quem saiu
do zero tem brilho diferente.

EU FUI BOY

Uns dizem que o sucesso acontece quando se tem sorte, outros preferem a tese de que só se chega à prosperidade depois de muito trabalho. Aparecido Camargo, um paulista de 52 anos, contou com essas e outras ajudas para trocar a bicicleta velha, usada na época em que era office-boy de uma farmácia na cidade de Maringá (PR), pelo comando da maior rede de farmácias do Estado. O primeiro acaso ocorreu dentro de casa. Assim que o pai, um agricultor semi-analfabeto, saiu do interior de São Paulo rumo ao Paraná, cismou que o filho, então com 12 anos, tinha de trabalhar em uma farmácia. Por causa do pouco estudo, Camargo não passou no teste para o emprego e só conseguiu a vaga quatro anos depois. Após a contratação não parou mais de crescer. Em cinco anos, juntou as economias, os empréstimos de um amigo e do banco e em 1975, com um valor que hoje seria cerca de R$ 10 mil, comprou sua primeira farmácia na capital paranaense.

Por sugestão de um cliente, o empresário foi fazer uma cabala para ver o que o futuro previa para os negócios. Trata-se de uma filosofia que faz previsões baseadas em números e letras. Foi aí que escolheu o nome Drogamed. “Até hoje defino a data e o horário da inauguração das minhas lojas com a ajuda da cabala. Foi fundamental para o meu sucesso”, diz. Mas a situação se complicou. Em 1988, depois do Plano Cruzado, Camargo teve de pedir concordata, da qual saiu um ano depois. Na década seguinte, aconteceu o grande lance. Foi quando conseguiu comprar seu maior concorrente, a rede Minerva. A aquisição trouxe outro problema, a necessidade de profissionalizacão. Em 2000, veio a chance da virada. A rede chilena de farmácias Haumada tornou-se sócia-controladora da Drogamed e Camargo foi mantido na presidência do grupo. Com o dinheiro da venda, investiu em um SPA urbano, em Curitiba. Hoje a Drogamed tem 85 lojas e fatura R$ 168 milhões por ano. “Valeu a pena, mas agora é o momento de dividir o tempo com a minha família”, afirma.

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