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INDO
ALÉM DOS LIMITES
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Estes
senhores saíram do zero, ergueram impérios
empresariais e fizeram fortunas
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Paula
Pacheco, Darcio Oliveira e Ivan Martins
De
zero a cem quilômetros por hora em 4, 6, 8 segundos. A indústria
automobilística costuma usar esse parâmetro para mostrar
a excelência de suas máquinas. Quanto menor o tempo,
mais potente é o carro. Transportando a expressão
para o mundo empresarial, poderíamos adaptá-la a algo
como de zero a milhões ou bilhões de reais de
faturamento. O tempo é o que menos importa neste caso.
Vale a fórmula de como a fortuna foi feita. Nas próximas
páginas, você verá exemplos de potentes empreendedores
que saíram do
zero e construíram impérios. São antigos engraxates,
feirantes e cobradores de ônibus que alcançaram sucesso
corporativo
partindo de um capital modesto, muito suor e alguma dose de
sorte. São personagens que seguiram a cartilha de empresários
como o ex-camelô Silvio Santos ou o ex-feirante José
Cutrale. Alguns, fundadores de companhias com grande poder financeiro
como o Grupo Martins e a Coteminas. Outros, mais modestos,
como os donos da rede Drogamed e dos supermercados Estrela Dalva.
Nada contra herdeiros, mas a trajetória de quem saiu
do zero tem brilho diferente.
EU
FUI BOY
Uns
dizem que o sucesso acontece quando se tem sorte, outros preferem
a tese de que só se chega à prosperidade depois de
muito trabalho. Aparecido Camargo, um paulista de 52 anos, contou
com essas e outras ajudas para trocar a bicicleta velha, usada na
época em que era office-boy de uma farmácia na cidade
de Maringá (PR), pelo comando da maior rede de farmácias
do Estado. O primeiro acaso ocorreu dentro de casa. Assim que o
pai, um agricultor semi-analfabeto, saiu do interior de São
Paulo rumo ao Paraná, cismou que o filho, então com
12 anos, tinha de trabalhar em uma farmácia. Por causa do
pouco estudo, Camargo não passou no teste para o emprego
e só conseguiu a vaga quatro anos depois. Após a contratação
não parou mais de crescer. Em cinco anos, juntou as economias,
os empréstimos de um amigo e do banco e em 1975, com um valor
que hoje seria cerca de R$ 10 mil, comprou sua primeira farmácia
na capital paranaense.
Por
sugestão de um cliente, o empresário foi fazer uma
cabala para ver o que o futuro previa para os negócios. Trata-se
de uma filosofia que faz previsões baseadas em números
e letras. Foi aí que escolheu o nome Drogamed. Até
hoje defino a data e o horário da inauguração
das minhas lojas com a ajuda da cabala. Foi fundamental para o meu
sucesso, diz. Mas a situação se complicou. Em
1988, depois do Plano Cruzado, Camargo teve de pedir concordata,
da qual saiu um ano depois. Na década seguinte, aconteceu
o grande lance. Foi quando conseguiu comprar seu maior concorrente,
a rede Minerva. A aquisição trouxe outro problema,
a necessidade de profissionalizacão. Em 2000, veio a chance
da virada. A rede chilena de farmácias Haumada tornou-se
sócia-controladora da Drogamed e Camargo foi mantido na presidência
do grupo. Com o dinheiro da venda, investiu em um SPA urbano, em
Curitiba. Hoje a Drogamed tem 85 lojas e fatura R$ 168 milhões
por ano. Valeu a pena, mas agora é o momento de dividir
o tempo com a minha família, afirma.
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