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Joaquim
Castanheira
Desde
que surgiu há 500 anos numa pequena cidade francesa, o jeans
tem servido como símbolo de importantes mudanças sociais
e econômicas da humanidade. Representou a colonização
americana ao vestir os trabalhadores rurais em seu esforço
na conquista do Oeste do país. Foi símbolo da revolta
no corpo de James Dean. Transformou-se em ícone da cultura
pop nas telas de Andy Wharhol. Azul e desbotado, tornou-se sinônimo
de liberdade no marketing da indústria. Ao longo dos tempos,
o jeans demonstra uma inesgotável capacidade de renovação
e adaptação. Agora, tem início aquela que seria
a terceira revolução no mundo têxtil. A primeira
foi marcada pelos tecidos de fibras naturais. A segunda pelo advento
das fibras sintéticas. Nos próximos dias, será
dada a largada para uma nova fase nessa história. Chegará
às passarelas, e logo depois às vitrines, a primeira
coleção de jeans ecológico do País.
Trata-se
do resultado de uma parceria de três grandalhões da
indústria têxtil. A Rhodia-ster, braço do gigante
químico francês Rhone-Poulenc, desenvolveu uma fibra
de poliéster feita inteiramente de material reciclado, no
caso PET, o plástico utilizado nas garrafas de refrigerantes.
Já a Santista, uma das seis maiores fabricantes de jeans
do mundo, recolhe retalhos de tecidos de algodão para produzir
fios. O jeans é fabricado a partir da mistura dos produtos
das duas empresas. A terceira perna do tripé é a M.Officer,
uma das mais importantes grifes de moda jovem do País. Cabe
a ela desenhar, confeccionar e fixar sua etiqueta nas calças
e jaquetas da coleção. O custo é praticamente
o mesmo do índigo tradicional e pode baixar ainda mais com
o aumento da produção. Outras empresas já seguem
o mesmo caminho. A Staroup também colocará em breve
no mercado seu tecido politicamente correto. Em seu caso, porém,
trata-se de 100% de algodão não inteiramente reciclado.
Em alguns anos, o jeans ecológico dominará o
mercado, afirma Luiz Ricardo Pegorin, gerente de marketing
da Santista Têxtil. De um lado, há pressão
da sociedade. Por outro, necessidade econômica de racionalização
no uso de recursos naturais.
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