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NEGÓCIOS/ CAPA

Sexta-feira, 22 de Junho de 2001
Ciete Silvério
Rhodia, Santista e M. Officer criam o índigo ecológico
e iniciam terceira onda do setor

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Joaquim Castanheira

Desde que surgiu há 500 anos numa pequena cidade francesa, o jeans tem servido como símbolo de importantes mudanças sociais e econômicas da humanidade. Representou a colonização americana ao vestir os trabalhadores rurais em seu esforço na conquista do Oeste do país. Foi símbolo da revolta no corpo de James Dean. Transformou-se em ícone da cultura pop nas telas de Andy Wharhol. Azul e desbotado, tornou-se sinônimo de liberdade no marketing da indústria. Ao longo dos tempos, o jeans demonstra uma inesgotável capacidade de renovação e adaptação. Agora, tem início aquela que seria a terceira revolução no mundo têxtil. A primeira foi marcada pelos tecidos de fibras naturais. A segunda pelo advento das fibras sintéticas. Nos próximos dias, será dada a largada para uma nova fase nessa história. Chegará às passarelas, e logo depois às vitrines, a primeira coleção de jeans ecológico do País.

Trata-se do resultado de uma parceria de três grandalhões da indústria têxtil. A Rhodia-ster, braço do gigante químico francês Rhone-Poulenc, desenvolveu uma fibra de poliéster feita inteiramente de material reciclado, no caso PET, o plástico utilizado nas garrafas de refrigerantes. Já a Santista, uma das seis maiores fabricantes de jeans do mundo, recolhe retalhos de tecidos de algodão para produzir fios. O jeans é fabricado a partir da mistura dos produtos das duas empresas. A terceira perna do tripé é a M.Officer, uma das mais importantes grifes de moda jovem do País. Cabe a ela desenhar, confeccionar e fixar sua etiqueta nas calças e jaquetas da coleção. O custo é praticamente o mesmo do índigo tradicional e pode baixar ainda mais com o aumento da produção. Outras empresas já seguem o mesmo caminho. A Staroup também colocará em breve no mercado seu tecido politicamente correto. Em seu caso, porém, trata-se de 100% de algodão não inteiramente reciclado. “Em alguns anos, o jeans ecológico dominará o mercado”, afirma Luiz Ricardo Pegorin, gerente de marketing da Santista Têxtil. “De um lado, há pressão da sociedade. Por outro, necessidade econômica de racionalização no uso de recursos naturais.”

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