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A
MILIONÁRIA CORRIDA GENÉTICA
Gigantes
dos computadores aderem ao Projeto Genoma e
investem alto na Bioinformática, uma nova indústria que
deve movimentar US$ 27 bilhões até 2003
Mariza
Cavalcanti
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A corrida
para transformar as descobertas genéticas num dos maiores
negócios do século ganhou a adesão dos nomes
mais importantes da informática mundial. Potências
como Compaq, IBM, Intel e HP estão desenvolvendo máquinas,
softwares e serviços para acelerar aquela que promete ser
a mais reveladora experiência humana: entender os genes, as
proteínas e os processos dos organismos vivos e, assim, revolucionar
a prevenção e o tratamento das doenças, desenvolver
novos tipos de alimentação e transformar radicalmente
a agricultura. Ao esforço que cientistas travam em todo o
mundo na busca da compreensão do mapa genético somou-se
definitivamente a capacidade dessas empresas para criar o capital
tecnológico. O desenvolvimento do setor de biotecnologia
contará com equipamentos cada vez mais modernos, garante
o presidente da Compaq Brasil, Emilio Umeoka. Com a aceleração
dos projetos na área genética, criou-se uma nova e
promissora indústria, a da bioinformática, que movimenta
hoje por ano respeitáveis US$ 3,5 bilhões em todo
o mundo. Até 2003, segundo a perspectiva das companhias,
essa cifra deverá subir para US$ 27 bilhões anuais.
Os
valores gerados pelo negócio da vida causam furor na indústria
da informática. Não é à toa. A ponte
que conduzirá a humanidade da revolução industrial
para o século da biotecnologia está sendo cimentada
pela união das forças intelectual e tecnológica.
As empresas de informática perceberam o papel que detêm
nessa transição principalmente de alguns anos para
cá. Vários projetos foram desenvolvidos ao longo da
década de 90 para desvendar o seqüenciamento do genoma
humano, mas só a partir de 1998 o intricado código
genético começou a se revelar. As primeiras grandes
descobertas desse mistério da vida devem-se principalmente
à aventura do cientista americano J. Craig Venter, criador,
junto com a empresa PE Corporation, da Celera Genomics, que, no
ano passado, anunciou a conclusão do primeiro mapa integral
genético. Para chegar a essa descoberta comparada
pela comunidade acadêmica à invenção
da roda, à teoria da relatividade e à chegada do homem
à lua , a Celera contou com um grande trunfo: um dos
mais velozes supercomputadores civis do planeta. É
possível dizer que ele é a principal ferramenta para
o estudo do genoma, afirma Márcio Trevisan, gerente
de negócios da Compaq, parceira da Celera no projeto.
| Maria
Di Andrea Hagge |
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| Gandour,
gerente de Novas Tecnologias: softwares e supercomputadores
exclusivos para ciências da vida |
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Mas,
por quê? Para os desavisados, um estudo científico
pode remeter
à idéia de um grande grupo de cientistas debruçados
sobre estudos infindáveis. É isso e muito mais. A
pesquisa do genoma isto é, do código genético
se apóia numa moderníssima base tecnológica,
que garante a execução de trabalho, digamos, mais
braçal. A compreensão da fabulosa engenharia genética
dos seres vivos tem produzido um número explosivo de dados.
Só máquinas muito poderosas poderiam ajudar
a lidar com a quantidade crescente de dados gerados por essa pesquisa,
diz Fábio Latuf Gandour, gerente de novas tecnologias da
IBM Brasil. A companhia americana concluiu, por exemplo, que com
a ajuda da informática os resultados dos cruzamentos de dados
podem ser obtidos em até 30 minutos, contra os três
meses exigidos pelo método tradicional. Em agosto de 2000,
a companhia montou o departamento Life Sciences, dedicado à
criação de produtos de gerência de informação
para as necessidades das ciências da vida. Não
imaginávamos a demanda que teve, conta Gandour.
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