|
Sexta-feira, 4 de Maio de 2001

Computador
do Milhão tenta chegar aos pobres com 36
prestações e o poder de venda de Silvio Santos
Ivans
Martins e Duda Teixeira
No
dia 26 de dezembro de 2000, uma terça-feira, um grupo de
funcionários da Microsoft liderados pela gerente Maria Carolina
Braga Vianna se reuniu na sede da empresa, em São Paulo,
com um visitante inusual Fernando Araújo, produtor
do famoso Show do Milhão, do SBT. Na pauta da conversa pós-natalina,
estava o desejo da companhia americana de se vincular, de alguma
forma, ao megassucesso do programa de Silvio Santos, um campeão
de audiência que àquela altura já havia puxado
a venda de quase 800 mil exemplares de CDs, 300 mil jogos da Estrela
e 150 milhões de balas da Freegel. Maria Carolina, gerente
de marketing da empresa de Bill Gates, tinha em mente uma idéia
que seus próprios colegas achavam arrojada demais: queria
que Silvio Santos, um dos rostos mais conhecidos do Brasil, fizesse,
durante o programa que vai ao ar três vezes por semana, uma
chamada para a enciclopédia Encarta da Microsoft, dizendo
que ela poderia ajudar a responder às questões colocadas
pelo programa e pelo Jogo do Milhão. Era uma idéia
de merchandising que se antecipava cara e difícil. Mas a
conversa foi tão boa, a empatia entre as empresas tão
evidente, que duas semanas depois, quando a reunião se transferiu
para a sede do SBT, o projeto já havia mudado de escopo:
tratava-se, agora, de produzir um computador com a marca do Milhão,
e vendê-lo, com apoio de mídia de Silvio Santos, às
camadas mais pobres da população. Assim nascia o Computador
do Milhão, a idéia mais ambiciosa e inovadora já
tentada no Brasil para ampliar o mercado de PCs, que vende cerca
de 3,5 milhões de unidades por ano. Apresentado em São
Paulo na quinta-feira 3, com apoio de 11 empresas entre elas,
gigantes como Intel e America Online , o projeto obteve a
bênção direta de dois homens de negócios
bilionários, um brasileiro e outro, americano.
Próxima
>>
|