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Sexta-feira, 4 de Maio de 2001
HUGO
MAIA
“VAMOS ENFRENTAR
AS MONTADORAS”
Presidente
da associação das revendedoras de veículos abre processo contra
Volks, Fiat, GM e Ford, acusando-as de fazer venda casada e cobrar
até 250% a mais por autopeças
Mário
Serapicos
Hugo
Maia de Arruda Pereira, 63 anos, começou a vender carros
em 1954. Primeiro, modelos usados. Depois, os Fuscas que eram montados
em ckd e os DKV Vemag. Nestes 47 anos teve que conviver com aquilo
que considera o maior cartel da economia brasileira: as montadoras
de automóveis. Criador das concessionárias Caraigá
e Toriba, que vendeu no Plano Cruzado, em 1986, foi fundador e primeiro
presidente da Associação Brasileira dos Revendedores
Volkswagen (Assobrave). Desde 1998 é o presidente executivo
da Federação Nacional da Distribuição
de Veículos Automotores (Fenabrave), entidade que também
ajudou a fundar e da qual já foi presidente quando se chamava
Abrave, em 1978. Desde que vendeu a sua revenda, Hugo Maia virou
militante profissional em defesa das concessionárias de automóveis.
Por isso, a entidade que preside move um processo por abuso de poder
econômico contra as quatro grandes montadoras Volks,
Fiat, General Motors e Ford. Depois de ver o processo arquivado
pela Secretaria do Direito Econômico (SDE), a Fenabrave recorreu
ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). Não
queremos guerra, porque na guerra alguém sempre morre. Não
queremos morrer, nem matar. Não queremos privilégios,
nem indenizações. Só queremos mudar um relação
na qual um lado pode tudo e o outro pode muito pouco, pondera.
Na entrevista a seguir, o dirigente afirma que as montadoras impõem
a venda casada, o que é proibido por lei. Rebate a afirmação
de que o carro brasileiro é o mais barato do mundo e entra
na briga a favor do imposto reduzido para os modelos populares.
Pergunta até quando as concessionárias vão
ser obrigadas a só comprar peças originais de
fábrica, que são no mínimo 250% mais
caras que as vendidas no mercado. E revela que está sendo
criada uma entidade para representar todas as concessionárias
do mundo e enfrentar a concentração cada vez maior
de montadoras.
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