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Verlangieri:
entre altas e baixas, se deu bem na arriscada coreografia |
Os
fundos derivativos deixaram marcas traumáticas no passado,
tanto no Brasil quanto no exterior. Muitos investidores brasileiros
que se empolgaram na tarefa de transformar o risco em lucro se deram
mal. Na maxidesvalorização do Real, os fundos dos
bancos Marka, Fonte Cindam e Boa Vista quebraram. Apostaram muito
além do patrimônio e foram surpreendidos pelas mudanças
econômicas. No exterior, a catástrofe foi causada por
fraudes. O operador inglês Nick Lesson provocou a falência
do banco inglês Barings com aplicações irregulares
em derivativos. Esses episódios esfriaram os ânimos
em relação a essa modalidade de investimento. No entanto,
a partir do segundo semestre de 2000 os fundos mais agressivos e
sofisticados iniciaram um processo de recuperação.
O
risco continua no ar. Antes de fazer a aplicação,
o investidor precisa assinar um contrato que prevê um aporte
de capital em caso de grandes perdas. Se o fundo registrar prejuízos
acima do patrimônio, sairá do bolso do investidor o
dinheiro para cobrir o rombo. Por isso, esse tipo de aplicação
não é indicado para qualquer um. Daí a expressão
tarja preta, referência aos remédios que
só são vendidos com receita médica. O empresário
mineiro João Henrique Garcia sabe muito bem quando a dose
errada causa efeitos colaterais. Ele já perdeu dinheiro na
dança dos derivativos. Foi muito sofrido, lembra
ele. Recuperado do trauma, ele voltou a aplicar com toda disposição.
Tem um bom motivo: Preciso turbinar os rendimentos,
afirma. Não dá mais para contar apenas com os
ganhos do CDI, tem que ousar. Na sua opinião, o segredo
é não se desesperar diante das quedas momentâneas
e resgatar o dinheiro precipitadamente. É preciso paciência
para esperar a recuperação. Tem de ter muito
sangue frio, ensina. Prejuízos diários não
o assustam mais. O objetivo é ganhar em longo prazo. Se
ficar acompanhando o perde e ganha diário fico louco,
diz. Para diversificar o risco, ele aloca os recursos em fundos
de derivativos de três instituições.
Uma
das opções de Garcia é o fundo RF Plus, do
banco alemão Dresdner, que usa derivativos de juros e câmbio.
O fundo não opera com o índice futuro de ações,
o que reduz o grau de risco. Em compensação, não
tem limites para alavancar o patrimônio. Dessa forma, continua
na gangorra. Se acertar, os rendimentos serão altos. Se perder,
o prejuízo vem em dose dupla. O investidor que não
se assustou com essas informações preliminares já
lucrou. A rentabilidade acumulada até 1o de março
está em 109% do CDI. Sérgio Tuffy Sayed, diretor do
Dresdner, explica que o maior estresse é a árdua tarefa
de manter o risco e as operações de proteção
sempre balanceadas. Diante de qualquer alteração no
mercado, o gestor tem que estar preparado para desfazer as posições.
Utiliza o chamado stop loss (limite de perdas). Praticamente todos
os bancos e corretoras têm sofisticados sistemas de controle
de risco. No entanto, para não se decepcionar, o investidor
precisa pesquisar quando é acionado o stop loss de cada um.
Depois, avaliar se tem sangue frio suficiente para firmar essa parceria
com o diabo.
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