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NEGÓCIOS

Sexta-feira, 9 de Março de 2001

MISSÃO: CONSELHEIRO GLOBAL

Esqueçam os velhos Conselhos de Administração. Agora os membros atendem várias empresas ao mesmo tempo

Mariza Cavalcanti

Foto: Biô Barreira  
Teixeira da Costa: grifes do setor público que se especializaram em dar palpites decisivos na iniciativa privada  

Eles vêm de fora das empresas, têm experiência de sobra e são pagos para dar palpites decisivos nos negócios dos outros. Independentes, não têm participação direta na gestão, tampouco se limitam a emprestar seus conhecimentos a uma única companhia. Bem-vindo ao mundo dos conselheiros profissionais ou, se preferir, conselheiros globais. São homens contratados a peso de ouro e que desfrutam de poder irrestrito – desde aprovar ou não planos estratégicos até destituir executivos de seus cargos. “Não podemos ter uma posição apenas figurativa, pois a responsabilidade é muito grande”, explica o presidente do Conselho da Sadia, Luiz Fernando Furlan, que há cinco anos é conselheiro da Panamco Spal, engarrafadora da Coca-Cola no Brasil, e desde o início do ano tem assento no Conselho da Telefonica. “O conselheiro traz idéias novas e tem capacidade para avaliar com isenção determinadas decisões”, reforça o ex-ministro da Economia Marcílio Marques Moreira, que também entrou para a galeria de profissionais pagos para pensar não em uma, mas em várias corporações ao mesmo tempo. Além dos serviços de consultoria à corretora Merrill Lynch, ele ajuda na estratégia do grupo varejista Sendas e da empresa de energia Cataguazes Leopoldina.

  Foto: Maria Di Andrea Hage
  Marques Moreira

O cuidado com a qualidade dos palpites está permitindo o avanço desses profissionais sobre os Conselhos de Administração. Hoje, segundo pesquisa da Spencer Stuart, da área de recrutamento e avaliação de altos executivos, 44,05% dos membros são independentes. “É um número positivo, mas ainda está longe do ideal”, avalia Bengt Hallqvist, presidente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. “A participação deve ser superior a 50%.” Algumas qualidades são indispensáveis na composição desse grupo: visão estratégica, conhecimento do mercado internacional, experiência em crises, vivência em cargos executivos e ausência de conflitos de interesse. Somam-se a esses atributos vantagens como rede de contatos, influência política e facilidade de acesso a informações. A pesquisa da Spencer Stuart retrata esse fenômeno. Os Conselhos têm seguido basicamente o seguinte modelo: 43,86% são executivos, seguidos por financistas (14,62%), consultores (11,11%), advogados (10,53%), acadêmicos (7,02%) e ex-integrantes do governo (6,43%).

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