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Sexta-feira, 9 de Março
de 2001
LUXO
ACIMA DE TUDO
As
vendas de jóias, perfumes caros e roupas de grife explodem.
No ano passado, bateram nos R$ 120 bilhões, número
duas vezes maior que em 1992
Andrea
Assef
Glamour,
sempre houve de sobra. A novidade do bilionário mercado do
luxo é uma assombrosa quantidade de clientes e, conseqüentemente,
dos dólares que eles deixam nas mais exclusivas lojas do
planeta. As vendas mundiais de jóias, relógios, roupas
e perfumes de grifes famosas bateram, no ano passado, na casa dos
R$ 120 bilhões, número duas vezes maior do que o arrecadado
por elas em 1992. Só no ano de 1999, cerca de um milhão
de consumidores caixa-alta entraram para o clube dos chamados high
net worth individuals, aqueles que ganham mais de US$ 1 milhão
ao ano. Para essa legião, basta um estalar de dedos para
um objeto de desejo se transformar num objeto de consumo. Ou seja,
há um novo time de pessoas que parou de apenas olhar as belas
vitrines de marcas como Prada e Versace na sofisticada Avenida Montaigne,
em Paris, ou na Madison, em Nova York. Agora, elas entram nas lojas
e saem com pelo menos um reluzente pacote nas mãos.
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| Avenida
Montaigne, Paris: consumo garantido e estimulado por estratégias
de marketing |
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A
outra ponta desse fenômeno está amarrada nas estratégias
de sucesso das marcas de luxo. O negócio passa por um processo
de reinvenção. É o fim da era romântica.
As tradicionais grifes francesas e italianas estão saindo
das mãos das famílias que lhes deram os nomes e indo
para o menu de aquisições de grandes grupos, como
o LVMH (Moët Hennessy Louis Vuitton), o maior do mundo. Dirigido
por Bernard Arnault, o conglomerado tem sob seu guarda-chuva marcas
como Christian Dior, Fendi, Kenzo, Givenchi, entre outras. Ao lado
do concorrente François Pinault, principal acionista da Gucci,
Arnault foi um dos primeiros a colocar o setor do alto luxo na rota
industrial. Profissionalizou a gestão, fortaleceu as ações
de marketing e criou novos canais de distribuição.
A Louis Vuitton, sinônimo de tradição e sofisticação,
por exemplo, vende seus produtos em megaestores. Há alguns
anos, seria considerado uma blasfêmia. Sinal dos tempos.
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Novo
rumo na alta costura: o negócio da moda passa por uma concentração
em grandes grupos |
A
massificação não significa preços
mais acessíveis. Ao contrário. De acordo com os analistas
do setor, a pressão dos acionistas para aumentar os lucros
e a expectativa dos próprios clientes de circular em lojas
belas e chiques mantêm os preços dos produtos de luxo
no lugar de sempre, nas alturas. O crescimento do consumo é
visto como um sinal de que o caminho é esse. Nos últimos
anos, o Brasil entrou na rota de sucesso das grifes. As filiais
brasileiras das marcas Empório Armani, Louis Vuitton e Bally
instaladas no Shopping Iguatemi, em São Paulo
foram campeãs mundiais de faturamento. Comparadas com as
de outros grandes centros internacionais, registraram seus melhores
resultados mundiais, em 2000. A loja paulista da Armani bateu a
de Nova York e a Louis Vuitton registrou crescimento recorde de
92%. Carlos Ferreirinha, presidente da Louis Vuitton Brasil, diz
que há uma evolução no consumo de luxo. Estamos
analisando outras marcas do grupo que serão trazidas ao Brasil,
afirma ele. A primeira da lista é a grife italiana Fendi,
que a partir de 2002 terá sua operação brasileira
sob os cuidados do grupo LVMH.
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