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NEGÓCIOS

Sexta-feira, 9 de Março de 2001

FALTA DE CLASSE

Descaso com passageiros arranha imagem da American Airlines, segunda maior empresa aérea do mundo

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Mariana Barbosa

Foto: Prensa Três

“Estou prestes a ser linchada por um bando de passageiros, chamem a gerência”, gritava a funcionária Denise Saunders, da American Airlines, no portão de embarque do vôo 951 com destino a São Paulo. O “bando” a que se referia a histérica funcionária era formada apenas pelos irmãos João e Pedro Moreira Salles, acompanhados de suas respectivas mulheres, Branca e Marisa, e do enfermeiro Júlio. Eles estavam no aeroporto JFK de Nova York na noite do último dia 27 e só queriam embarcar para o Brasil a tempo de acompanhar o velório do pai, o banqueiro Walther Moreira Salles, na manhã seguinte. Em vão. Por conta da ineficiência e má vontade de alguns dos funcionários da segunda maior companhia aérea do mundo, os Moreira Salles, donos do Unibanco, o terceiro maior banco privado brasileiro, passaram mais de cinco horas infernais no aeroporto, vivendo uma sucessão de cenas dantescas.

“Fomos tratados como criminosos”, disse João à DINHEIRO. Depois de passarem pelo transtorno de ter a mala minuciosamente revistada, o grupo foi para a sala VIP esperar o vôo 973 para o Rio de Janeiro. Mas o vôo havia sido cancelado e ninguém avisou os passageiros, dificultando qualquer tentativa de troca de aeronave. Foram informados por um funcionário da empresa que ainda daria tempo de pegar um outro vôo da própria AA, o de número 951, que partiria em dez minutos para São Paulo. Conseguiram chegar a tempo, mas foram barrados na porta do avião por Denise.

Explicamos que estávamos voando para o velório do nosso pai e que o outro funcionário garantiu que a transferência havia sido feita”, diz João. A resposta foi curta e grossa: “Não estou interessada, não é problema meu”. O gerente repetiu o discurso. Também não estava interessado. O avião decolou com assentos vazios. O resultado da confusão é que Pedro vetou a compra de novas passagens da American Airlines, que era a mais utilizada pelo banco, e pediu ao departamento jurídico para preparar um processo contra a companhia.

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