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NEGÓCIOS

Sexta-feira, 9 de Março de 2001

CREMER

Foto: Ciete Silvério

MPC arremata as marcas Drypers e Cremer e torna-se líder
do mercado brasileiro de fraldas

Joaquim Castanheira

Nos últimos dois meses, o executivo Sammy Roger Ewald acompanhou atentamente a movimentação nos tribunais da cidade americana de Houston, capital do Texas. Aparentemente, era uma preocupação estranha para o presidente de uma das grandes fabricantes de fraldas descartáveis no Brasil, a MPC. Mas era lá que o desenho do mercado brasileiro estava sendo definido. Sob a coordenação dos juízes texanos, a Drypers, uma das concorrentes da MPC, estava sendo negociada aos pedaços como forma de escapar da concordata que a assolava. O desfecho da negociação foi justamente aquele aguardado por Ewald: a MPC arrematou a subsidiária da empresa no Brasil e ficou com uma fábrica em Mogi das Cruzes, além de marcas como Puppet e Baby Pop. O melhor: com a aquisição, a MPC somou mais de oito pontos porcentuais à sua participação de mercado, deixou para trás Kimberly Clark, Procter & Gamble e Johnson & Johnson e assumiu a dianteira, com 22%. Ou seja, de acordo com seus números, a MPC é a líder isolada do setor.

Com a Drypers, a MPC acumula aquele que é o fator decisivo na luta pela sobrevivência nesse mercado: volume de produção. Trata-se da equação clássica. De um lado a necessidade permanente de investimentos em tecnologia – qualquer evolução no produto requer coisa de US$ 1 milhão, segundo Ewald. De outro lado, as margens reduzidas – nos últimos 10 anos, o preço da fralda caiu de 50 centavos de dólar para cerca de 15 centavos. Mesmo assim, há muita gente interessada nesse negócio. No Brasil, são 24 fabricantes, que comercializam cerca de 200 diferentes marcas. “A competição é fortíssima”, diz Ewald. Como acontece em outros setores, a atração pelo mercado brasileiro pode ser explicada mais pela promessa do que pela realidade atual. Por aqui, apenas 28% dos bebês de até 3 anos são vestidos com fraldas descartáveis. No México e na Argentina, essa proporção sobe para 60%. “Há um enorme espaço a ser conquistado”, afirma Ewald. “Por isso, é necessário crescer rapidamente para ocupar todos os espaços.” É o que a MPC tem feito. Fruto da associação da mexicana Mabesa e da americana Paragon, a empresa desembarcou no Brasil em 1997.

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