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Sexta-feira, 9 de Março
de 2001
 
Presidente da Anfavea provoca briga histórica na indústria
automobil ística ao propor imposto único para os carros
Joaquim
Castanheira e Mário Serapicos
Foi
um começo de ano promissor para a indústria automobilística
brasileira. A marca cabalística de 2 milhões de unidades
produzidas pode ser rompida. O nível de emprego no setor
também dá sinais de crescimento. Enfim, tudo como
manda o figurino ou melhor, quase tudo. Justamente no momento
em que as empresas apresentam números vistosos, uma briga
feroz explodiu na entidade que abriga os fabricantes de carros no
País, a Anfavea. Talvez em momento nenhum da história,
uma divergência tenha causado um racha tão profundo
e barulhento como esse. O estopim foi uma idéia lançada
pelo presidente da entidade, José Carlos Pinheiro Neto, de
unificar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), em uma
alíquota entre 14% e 16%. Hoje, carros populares pagam 10%,
e os demais, 25%. A medida, que coloca em xeque o futuro dos modelos
1.0 no Brasil, provocou a ira dos presidentes das montadoras, principalmente
da Fiat e Volks.
Mais
do que uma simplificação da estrutura tributária,
a alíquota única provocaria a necessidade de um completo
redesenho do mix de produção das empresas. A venda
de carros populares cairia, enquanto a comercialização
dos automóveis médios e de luxo subiria, mas não
o suficiente para compensar a queda da outra ponta. Algumas fábricas
encolheriam, outras exigiriam investimentos para ampliação.
A maior prejudicada seria a Fiat, que, graças aos carros
populares, cresceu sem parar nos últimos anos até
assumir a liderança do setor nos últimos quatro meses.
A grande beneficiada seria a General Motors, que sempre derrapou
nos populares. E aí está outro punhado de pólvora
para incendiar o assunto. Pinheiro Neto, vice-presidente da GM,
deixa o comando da Anfavea dentro de um mês, quando termina
seu mandato. Ficou a sensação de que Pinheiro Neto
fez uma jogada de mestre. Aproveitou os últimos dias de sua
gestão para colocar em cena uma proposta que beneficia diretamente
a GM. A montadora se vira muito melhor nas linhas mais sofisticadas
e obtém sucesso em vendas com um carro como o Vectra, por
exemplo, que custa no mínimo R$ 35 mil.
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