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ENTREVISTA

Sexta-feira, 9 de Março de 2001

ANTÓNIO GUTERRES

“SOU FANÁTICO PELO BRASIL
Foto: AE

Temeroso diante da hegemonia dos EUA na América do Sul, primeiro-ministro socialista de Portugal se auto-proclama “porta-voz brasileiro na União Européia” e defende mais investimentos lusitanos no País

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Deise Leobet, de Lisboa

Vem aí uma nova onda lusitana, com certeza. Cinco anos depois de as maiores companhias portuguesas terem invadido o Brasil, agora é a vez de as pequenas e médias empresas cruzarem o Atlântico. Motivadas pelo sucesso de grandes grupos como a Portugal Telecom e Sonae, empresas de menor porte já apresentaram ao primeiro-ministro António Guterres, 51 anos, seus planos para ganhar escala e aumentar lucros no território brasileiro. Com tantos interesses no País, Guterres teme a concretização da hegemonia dos Estados Unidos no continente americano com a efetivação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca). Por isso, tem procurado fazer de Portugal a voz do Brasil junto à União Européia. “Sou um fanático pelo Brasil”, diz o primeiro-ministro, que adora passar suas férias no Pantanal e na Ilha Grande. Socialista de carteirinha, Guterres goza de boa aceitação junto ao eleitorado português. Foi durante sua gestão que a economia do País, impulsionada por investimentos da União Européia, floresceu. A partir da sua orientação, as empresas portuguesas começaram a entrar no Brasil. Até 1995, quando Guterres assumiu o cargo pela primeira vez, o total de investimentos portugueses no Brasil não chegava a US$ 350 milhões. Hoje, somam mais de US$ 7 bilhões, o que faz de Portugal o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil, atrás apenas de Estados Unidos e da Espanha. O primeiro-ministro português, que recebeu a reportagem de DINHEIRO em seu elegante gabinete no Palácio São Bento, em Lisboa, garante que o Brasil vai continuar sendo o parceiro predileto de Portugal.

DINHEIRO – Qual é o papel do Brasil na expansão comercial portuguesa?
António GUTERRES –
Quando tomei posse, minha intenção era transformar o Brasil na grande prioridade do nosso relacionamento exterior. Até então, as relações entre Brasil e Portugal estavam baseadas na saudade e em aspectos culturais. Com a redefinição das prioridades na área comercial, o desenvolvimento foi assombroso. Basta dizer que, nos últimos dois anos, Portugal foi o terceiro maior investidor estrangeiro no Brasil. O que, dada a dimensão de Portugal, que tem 10 milhões de habitantes, é de fato muito significativo. Portugal distina ao Brasil cerca de 40% do seu investimento externo.

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