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ENTREVISTA
“Em março, teremos a cimeira da maturidade. Não precisamos dar espetáculo”
Foto: Calé

DINHEIRO – E essa opção de investir no Brasil vai continuar sendo uma orientação do governo?
GUTERRES –
Seguramente. Além de grandes empresas que entraram em setores estratégicos como telecomunicações, distribuição ou indústria de cabos elétricos, muitas pequenas e médias estão querendo fazer o mesmo. O movimento tem tal dimensão que hoje já não é preciso nenhum impulso político.

DINHEIRO – Que novos grupos querem vir para o Brasil?
GUTERRES –
A principal característica desses investimentos mais recentes é que eles são muito diversificados. Envolvem áreas que vão desde novas tecnologias, indústria até serviços. Mas há muitos outros. Por exemplo: há uma empresa portuguesa de embalagens, que foi bastante inovadora por aqui, cujos diretores recentemente me procuraram para dizer que vão investir no Brasil. É um setor que ninguém se lembraria. Isso mostra que Portugal olha o Brasil como destino prioritário para sua internacionalização em todos os aspectos.

DINHEIRO – Muito desse interesse também não está respaldado no fato de as companhias terem bons lucros no País?
GUTERRES –
Na verdade, a maior parte das empresas ainda está numa fase de consolidação dos investimentos. Como quase todas querem continuar crescendo no Brasil, elas estão reinvestindo seus ganhos por lá mesmo. É uma opção estratégica. Isso porque, nesse mundo global, é necessário que as empresas operem em mercados cujos volumes sejam significativos. Como o mercado português é muito pequeno, e não dá margem para essa estratégia, a opção de expansão é o Brasil.

DINHEIRO – Apesar de o Brasil se encontrar há alguns anos dentro uma relativa estabilidade econômica, os investidores ainda aconselham certa cautela. Concentrar a expansão portuguesa só no Brasil não é um pouco arriscado?
GUTERRES –
A opção estratégica pelo Brasil foi feita em meio ao êxito do Plano Real e da estabilidade política dada pelo presidente Fernando Henrique. Quando ocorreu a última crise financeira, que culminou com a desvalorização da moeda, não tivemos dúvidas em reafirmar nossa opção e nossos interesses no País. Deixamos claro que o Brasil era para nós um destino estratégico. Que não estávamos interessados apenas no lucro fácil ou momentâneo. Decidimos que, mesmo com algumas dificuldades que possam aparecer no futuro, o Brasil será, seguramente, uma das grandes potências econômicas.

DINHEIRO – Pode-se esperar, então, a entrada do capital português, nas novas privatizações do Estado brasileiro, entre elas a do setor elétrico?
GUTERRES –
Com certeza. Além de investimentos no setor elétrico, empresas como a EDP (que recentemente adquiriu a Empresa Bandeirante de Energia por US$ 1 bilhão) devem repetir no Brasil a linha de diversificação de investimentos que já estão fazendo em Portugal. Aqui em Portugal, por exemplo, a EDP está se tornando um grande operador de telecomunicações também.

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