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Sexta-feira, 9 de Março
de 2001
O NOVO ORÁCULO OFICIAL
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O presidente
do Banco Central, Armínio Fraga, decidiu em boa hora politizar
o discurso no campo monetário. Fraga já angariou prestígio
suficiente para pontificar sobre alguns dos mais espinhosos temas
da economia. E, apesar do seu estilo sempre discreto, mudou de postura
e começou a fazê-lo. CPMF, por exemplo: na semana passada,
ele levantou, de forma contundente, a voz contra a permanência
do imposto ou contra qualquer artifício que estenda além
do previsto por decreto, com prazo de vida estabelecido até
meados do ano que vem a sua existência. Definiu o artifício
tributário nos seguintes termos: A CPMF é infame,
é inimiga dos mercados financeiro e de capital. Há
consenso no governo de que ela é nociva. Mais adiante,
decretou: Sua cobrança acaba no ano que vem.
O peso das palavras de Fraga ditas durante encontro com financistas,
em Nova York, na quarta-feira, 7 , e do seu próprio
status dentro do grupo que define os rumos econômicos, pôde
ser medido no dia seguinte, quando o presidente Fernando Henrique
praticamente repetiu o enunciado do subordinado, confirmando o enterro
da CPMF. Claro que Fraga e FHC já deviam ter se acertado
sobre esse ponto, mas outros dentro do governo foram surpreendidos.
Dias antes, até ministros declaravam ao público que
a CPMF seria perpetuada no altar dos tributos. Não tinham,
decerto, o acesso que Fraga conquistou sobre o que pensa e resolve
o presidente.
Num
outro tema candente, Armínio Fraga voltou a impor opinião:
defendeu a antiga idéia de mandato fixo para dirigentes do
BC, o que na prática significa a independência do banco.
Teve, novamente, o doce prazer de ouvir FHC tocar no mesmo ponto,
durante o comunicado da sua agenda de realizações
para 2001/2002. Armínio, ao que tudo indica, de estrela financeira
vai se convertendo em oráculo oficial. E pensar que, no início,
o tinham como uma raposa no galinheiro.
Carlos
José Marques
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