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ECONOMIA

Sexta-feira, 9 de Março de 2001

A LIÇÃO DE ECONOMIA DE MÁRIO COVAS

Fotos: Bruno Schultze/Fotomontagem: Jayme Leão

Ele assumiu São Paulo com déficit de R$ 3,5 bilhões
e deixa em caixa R$ 7 bilhões

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Marco Damiani

De memória, o ministro Pedro Malan recitou um verso de Os Lusíadas: “A disciplina, senhor, não se aprende na fantasia, sonhando, imaginando ou estudando, senão vendo, tratando e pelejando”. Explicava, a pedido de DINHEIRO, como Mário Covas, 70, conseguiu, acima das críticas, deixar uma lição de economia sem jamais ter sido economista. “O legado de austeridade fiscal e desenvolvimento econômico de Covas foi construído porque, à parte a teoria, ele entendia na prática as leis da vida”. Como Malan, vários ministros, grandes empresários e economistas reconheciam no governador paulista uma referência não apenas política, que agora vira símbolo. Ele ergueu uma obra econômica sustentada em quatros pilares: austeridade administrativa, preocupação social, crença no capitalismo e um revolucionário plano de privatizações, que virou modelo nacional.

 
Luto oficial: em Brasília, bandeiras a meio-pau na terra em que Covas marcou época como tribuno  

No primeiro dia de seu primeiro mandato, em 1997, Covas determinou que nenhum secretário estava autorizado a gastar além da arrecadação do Estado. Lançava, sem saber, naquele instante, as bases da Lei de Responsabilidade Fiscal, aprovada somente no ano passado. “Na hora, ninguém entendeu muito bem o que ele queria dizer, mas à medida em que os pedidos de verbas extras não eram aprovados, cada secretário entendeu que o chefe falava a sério”, diz o secretário estadual da Fazenda, Fernando Dall’Acqua. Provando que austeridade era um dogma, Covas pôde, ele próprio, abrir torneiras para o social. Quando um corte orçamentário acabou com um programa de distribuição gratuita de leite, Covas deu 15 minutos para que um técnico da Fazenda cruzasse a cidade até seu gabinete no palácio, um percurso que pode levar mais de um hora. “O senhor saiba que por detrás dos seus números há gente. Corte em outro lugar. O programa do leite continua”, determinou. Aos professores, dobrou o piso salarial da categoria.

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