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Sexta-feira, 9 de Março
de 2001
DAC,
GROSSI COMANDA A GUINADA
Brigadeiro
defende maior presença de capital estrangeiro nas empresas aéreas
André
Jockyman
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| Transição:
“Não cabe mais à Aeronáutica administrar a aviação comercial” |
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Com
uma missão na cabeça e uma caneta na mão, o
brigadeiro Venâncio Grossi não parece satisfeito com
toda a reviravolta que tem provocado na aviação comercial
brasileira. Ele quer mais. À frente do Departamento de Aviação
Civil (DAC), Grossi expediu no último ano mais de uma dezena
de autorizações para novas companhias aéreas
entrarem em funcionamento em linhas nacionais e regionais. Agora,
de seu gabinete no centro do Rio de Janeiro, atrás de uma
mesa enfeitada com uma dezena de miniaturas de aviões, ele
fala em permitir uma maior participação do capital
estrangeiro nas empresas nacionais. Atualmente, nossa legislação
é semelhante à dos Estados Unidos, onde o limite para
o capital estrangeiro em empresas nacionais é de 20%,
diz. Para o Brasil, acho que algo entre 30% e 35% seria uma
porcentual bastante adequado.
O brigadeiro não tem medo de ser polêmico. Meu
papel é administrar a aviação civil numa fase
de transição, conta. Não cabe mais
à Aeronáutica, uma entidade militar, comandar esse
processo. Mas é preciso ir por partes até chegarmos
a uma agência de aviação civil. Ele reconhece
que, neste processo, suas decisões muitas vezes causam polêmica.
Eu sei que muitos me criticam, acham que estou indo rápido
demais. Se recusa, porém, a falar, em particular, de
casos específicos de companhias. A reestruturação
do setor é muito mais importante do que interesses específicos.
Abre um sorriso discreto, porém, quando lembrado que a entrada
em operação de empresas como a Gol e a Nacional, com
horários regulares nas principais rotas nacionais
e preços mais baratos que as mais antigas como a Varig e
a TAM provocou uma guerra de descontos nos guichês
dos aeroportos. A entrada em operação das novas
empresas melhorou a vida do usuário, reconhece. A
maior competição tornou os preços mais acessíveis,
foram criadas novas oportunidades de acesso e uma maior gama da
população, antes excluída da aviação,
que agora pode usá-la.
Este ano, o DAC completa 70 anos. Nunca foi tão ágil.
Grossi gosta de receber pessoalmente empresários e executivos
do setor e demonstrar clareza sobre os pedidos que pode ou não
atender. Um processo de autorização para funcionamento
de uma nova companhia leva no máximo seis meses entre ser
protocolado e receber o parecer final. O brigadeiro Grossi
é um homem aberto ao diálogo e atento aos novos tempos,
elogia o empresário Aramis Maia, dono da Nacional, empresa
com três jatos de passageiros que vai se especializando em
vender passagens em baixas prestações. No DAC desde
janeiro de 1988, Grossi já chefiou as áreas de Finanças
e Planejamento e, desde o ano passado, comanda o órgão.
Ex-piloto de caça, fez diversos cursos ligados à aviação
civil no exterior. Da janela de seu gabinete, ele não consegue
enxergar a pista do aeroporto Santos Dumont, mas não se importa.
Muitas vezes não é possível voar apenas
pelo visual, diverte-se.
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