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Sexta-feira, 9 de Março
de 2001
BILL
ALÉM DO PC

Microsoft se antecipa ao encolhimento do mercado de computadores
e abraça novos negócios, como jogos, celulares e PDAs
Duda
Teixeira, de Seattle
A
história da Microsoft e a dos computadores pessoais se confundem.
A primeira linguagem para microcomputadores foi escrita em 1975,
pela dupla Bill Gates e Paul Allen. Hoje, nada menos que 92% dos
PCs deixam as lojas recheados com os códigos produzidos pelos
pesquisadores da Microsoft. Agora, 25 anos depois da sua fundação,
a maior companhia de software do mundo tem pela frente o desafio
de expandir seu mercado para compensar um fenômeno que já
se alinha no horizonte: o declínio do mercado de computadores
pessoais, que vão perder espaço para aparelhos menores,
como os Assistentes Pessoais (PDAs). Nos últimos meses, a
empresa de Redmond tem avançado sobre novos mercados
jogos, servidores corporativos, telefones celulares e micros de
mão. Muitas aplicações que antes estavam
no PC vão começar a migrar para outros aparelhos,
complementares ao computador, prevê Gates. Nosso
desafio é criar uma estrutura que interligue todos esses
equipamentos e lhes dê funcionalidade conjunta. Caso contrário,
o mercado vai começar a encolher.
Fabricantes
como Dell e Gateway já sentiram uma desaceleração
das vendas. O freio inevitavelmente repercutirá nas empresas
que elaboram os programas a Microsoft, a mais importante
delas. Pequenos estragos já foram notados. No último
trimestre de 2000, as vendas do Office que inclui o editor
de texto Word caíram 2%. A saída natural foi
diversificar a linha de produtos. O PC não vai embora,
afirmou Darcy Burner, diretora de marketing da .Net, uma plataforma
de comunicação que vai permitir, entre outras coisas,
o diálogo fácil entre micros, celulares e protótipos
que ainda nem têm previsão de lançamento, como
a Tablet uma espécie de prancheta eletrônica
em que o usuário escreve com uma caneta. Diz Burner: As
pessoas vão usar uma constelação de equipamentos.
É no cruzamento entre eles que queremos atuar. Só
neste ano, a Microsoft irá colocar US$ 200 milhões
nos seus projetos de pesquisa para computação móvel.
Segundo o IDC, cerca de 13 milhões de unidades foram comercializadas
no ano passado, número que vai ser multiplicado por cinco
em 2004. Dentro dessa categoria, um dos grupos que mais irão
se destacar é o dos assistentes pessoais, ou micros de mão.
O setor tem sido dominado pela Palm, mas ela já sentiu a
presença da Microsoft em seu campo de atuação.
No ano passado, a companhia de Gates lançou com a Compaq
o iPaq, um PDA com visor colorido e reconhecimento de escrita automático
que funciona movido por uma versão reduzida do Windows, o
CE. Esse lançamento foi suficiente para que, de dezembro
a janeiro, a participação de mercado da Palm caísse
de 65% para 60,5%. A Microsoft atuou claramente com a intenção
de invadir a porção de mercado da Palm, diz
Kevin Burden, pesquisador do IDC americano. A Palm continua
a reinar suprema, mas pela primeira vez está tendo de encarar
um sólido perigo à sua dominância.
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Palm
que se cuide: o iPaq, lançado há um ano pelas gigantes Microsoft
e Compaq, fez com que a participação da Palm no mercado caísse
de 65% para 60,5% |
As
investidas da Microsoft fora do mundo dos PCs não param aí.
Para entrar no mercado de celulares, a Microsoft já tem nas
mãos o Mobile Information Server 2000, que transportará
notícias e outras informações para os telefones
móveis. O Xbox, jogo que irá competir com o Playstation
e marca a estréia da Microsoft nesse setor, chegará
ao mercado japonês e americano no final do ano. Para as próximas
semanas, está previsto o lançamento do BizTalk, que
irá interagir com diferentes programas de gestão,
do pagamento de fornecedores até avisos por e-mail. O produto
fará parte de uma família de programas que atende
o mercado corporativo e já representa 18% do faturamento
da empresa. Os softwares para as empresas irão crescer
20% nos próximos 12 meses, afirma Maurício Santillán,
vice-presidente para a América Latina. É a Microsoft
encontrando maneiras de seguir como uma das empresas mais poderosas
e rentáveis do planeta.
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