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ECONOMIA/CAPA

Posse no ministério, em 61: entre San Thiago Dantas e Clemente Mariani

Há outra história que ilustra bem o peso da sua existência. Em 1964, por razões pessoais, o presidente Costa e Silva decidiu cassar o embaixador e perguntou a opinião do então ministro Delfim Netto. A resposta de Delfim: “Teremos apenas problemas com toda a imprensa internacional, com os banqueiros estrangeiros e com os governos dos Estados Unidos e da França.” Costa e Silva desistiu da idéia. Naquele momento, o presidente linha-dura descobria o que muitos já sabiam: o embaixador estava acima do bem e do mal. Moreira Salles construiu em torno de si uma reputação de integridade inabalável. No mundo dos negócios, era um cavalheiro cuja palavra era uma só. Quem negociava com ele dormia tranqüilo. Jamais seria passado para trás. Na década de 60, foi sócio de Nelson Rockefeller nas incursões do bilionário americano pelo mundo dos negócios no País. A principal delas foi a criação do fundo Crescinco, que pavimentou a estrada para o desenvolvimento do mercado brasileiro de capitais. O Brasil entrava na roda financeira internacional pela porta da frente.

Banqueiro hábil, em 82: encontro com o economista Eugênio Gudin

A influência de Moreira Salles também era grande no território nacional. Ele nasceu em 1912, na cidade de Pouso Alegre (MG) e a partir dos 12 anos viveu em Poços de Caldas (MG). Nessa época, Poços era uma estância chique, freqüentada pela elite política e artística brasileira. Fez amigos como Ari Barroso, que tocava nos cassinos da cidade. Ao mesmo tempo, conquistava espaço no clã dos Vargas. Chegou a namorar Alzira Vargas, filha de Getúlio. Anos mais tarde, o primogênito Walther recebeu do pai, João Moreira Salles, a incumbência de assumir a direção da Casa Bancária Moreira Salles, em Poços. O embaixador foi o grande estrategista na transformação da pequena casa bancária no titã Unibanco. Contou com a valiosa ajuda do sócio Pedro di Perna, presidente executivo do banco e responsável pelo dia-a-dia da instituição. Enquanto isso, Walther fazia o circuito Poços-Rio-São Paulo-Nova York buscando novos negócios, conversando com chefes de governo, freqüentando luxuosas recepções.

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