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Sexta-feira, 2 de Março
de 2001
O
MUNDO DE
MOREIRA SALLES
Duas
vezes embaixador, negociador da dívida externa em quatro governos,
ministro, banqueiro e sócio de Rockefeller, o patriarca do Unibanco
pavimentou um caminho ímpar na economia brasileira
Andrea
Assef
1959.
Palácio do Catete, Rio de Janeiro. Um grupo inflamado de
manifestantes grita palavras de ordem contra o Fundo Monetário
Internacional (FMI). O então presidente Juscelino Kubitschek
acabava de anunciar o rompimento das negociações da
dívida externa brasileira com o Fundo. Enquanto JK acena
da sacada e sorri ao ser chamado de antiimperialista, um homem elegante
e impecavelmente vestido entra pela porta dos fundos do palácio.
Era o embaixador Walther Moreira Salles. Havia sido chamado às
pressas. Juscelino pedia que, discretamente, o embaixador retomasse
a conversa com o FMI. Nenhuma outra pessoa no Brasil seria capaz
de consertar o rompante ufanista do arrependido JK. Moreira Salles
tirou de letra. Com
habilidade diplomática, o embaixador alinhavou o retorno
do País à pauta do fundo internacional.
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Embaixador
nos EUA, em 59: Apoio de Oswaldo Aranha e Amaral Peixoto
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O
episódio é um retrato fiel do que foi a vida de Walther
Moreira Salles, falecido na manhã do último dia 27,
aos 88 anos, em sua casa de veraneio em Araras, na serra fluminense.
Fundador do Unibanco, o quarto maior banco privado do País,
sua figura transcende a de um importante banqueiro. Moreira Salles
foi, durante décadas, um personagem crucial da história
econômica do País. Participou de quatro governos consecutivos,
de Getúlio Vargas a João Goulart. Foi duas vezes embaixador
do Brasil nos Estados Unidos. Negociou quatro vezes a dívida
externa brasileira junto ao FMI. Circulou pelos principais salões
e palácios do mundo. Foi sócio dos Rockefeller, conviveu
com a elite política e econômica européia, era
recebido no seleto clube dos empresários americanos. Para
mim, não bastava ser um grande empresário. Sempre
quis ser um grande empresário em um grande país,
definiu Moreira Salles em um dos longos depoimentos dados ao jornalista
Luiz Nassif, que trabalha na biografia do banqueiro.
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