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Jogo
fechado: para trabalhar com os militares, comandadas pelo
ministro civil Geraldo Quintão (abaixo), quanto mais discreto
for o empresário, melhor |
De
fato, as regras dos negócios da Defesa são tão
peculiares quanto os produtos que ela consome. O orçamento
do principal cliente, as Forças Armadas, é limitado
e sofre os cortes exigidos pelo governo. Este ano, o orçamento
previsto é de R$ 1,4 bilhão. No ano passado, gastou-se
R$ 1,2 bilhão. Não é um valor irrisório.
Só 9,4% do orçamento da Defesa sofreu cortes do governo,
enquanto esse porcentual foi de 40,7% no caso da Agricultura. Mesmo
assim, não é fácil depender de um cliente que
pode fazer um grande negócio em um dia e manter as torneiras
fechadas no outro.
Foi exatamente esse problema que causou turbulências no negócio
da Acron, empresa que aparece na lista como a única empresa
de criptografia das Forças Armadas. Como a empresa sempre
dependeu dos militares, seu negócio ficou muito sensível
aos cortes da Defesa. Hoje, a Acron procura novos sócios
e pretende atender clientes privados. Podemos ganhar mais
vendendo nossos produtos para outras empresas, diz Antonio
Monclaro, sócio-fundador da Acron. A criptografia é
um dos negócios mais sensíveis da Defesa. Por meio
desse método, é possível transmitir com segurança
dados confidenciais pelo telefone e computador. Mesmo assim, a Aeronática
e a Marinha pagam valores irrisórios pela manutenção
dos sistemas, segundo a Acron. No caso do Exército, foi fechado
no ano passado um pacote de atualização e manutenção
do sistema de computadores do Exército. A empresa cobrou
10% do valor do parque instalado pelo serviço, o que rendeu
R$ 40 mil. Se o serviço fosse feito por uma multinacional,
esse porcentual seria de 20%, segundo Monclaro.
As empresas estão procurando não depender apenas
da Defesa e oferecem seus produtos para outros países,
diz um consultor da área de defesa. A Embraer é um
bom exemplo dessa nova tendência. A empresa, que vende aviões
comerciais, também é fornecedora de aviões
de defesa para outros 20 países. Tudo isso sem perder de
vista o cativo mercado militar brasileiro. Este ano, a Embraer vai
cuidar do programa de modernização dos Mirage F-5E/F,
da FAB. O projeto, orçado em US$ 285 milhões, inclui
sistema de navegação, radar multimodo, além
da qualificação dos armamentos. Em abril, a Embraer
e outras 240 empresas brasileiras e estrangeiras do setor de Defesa
vão expor seus produtos para as Forças Armadas do
Brasil e de outros 36 países em um feira no Rio de Janeiro.
A idéia é cativar os militares e costurar parcerias
entre si. O número de expositores é o dobro daquele
apresentado há três anos. Prova de que mesmo restrita,
a indústria da Defesa é promissora.
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