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Sexta-feira, 2 de Março
de 2001
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A
entrada de capital estrangeiro caiu e o déficit externo vai
aumentar. E agora?
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Fabiane
Stefano
Perigo
à vista. Em tempos de recessão americana, crise argentina
e derrocada da Turquia, o déficit externo brasileiro está
crescendo, enquanto um dos indicadores mais lustrosos do governo
FHC o investimento direto estrangeiro, verdadeira âncora
da estabilidade econômica começa a esfriar.
O dinheiro gringo, lembre-se, é imprescindível para
cobrir o rombo das contas internacionais brasileiras. Em janeiro,
o déficit nas contas correntes acumulado nos últimos
12 meses foi de 4,39% do PIB. Há seis meses, o número
registrado era de 4,08% é uma diferença de
US$ 1,5 bilhão. Na outra ponta, o fluxo de investimento direto
estrangeiro, responsável por uma injeção de
capital produtivo de US$ 30,6 bilhões em 2000, deve diminuir
24,8% este ano, orbitando em torno de US$ 23 bilhões. Pior:
deve encolher cada vez mais, chegando a cerca de US$ 17 bilhões
em 2005, segundo projeções do economista Octavio de
Barros, do BBV. A equação mostra que nos próximos
anos vai ficar mais difícil para o Brasil captar entre US$
55 bilhões e US$ 60 bilhões anuais (incluindo aí
amortizações, que são refinanciadas no mercado
internacional) para fechar suas contas. Resumo da ópera:
o País está andando rápido na direção
errada, e, novamente, não poderá crescer de acordo
com seu enorme potencial.
O sinal amarelo está aceso, avisa o economista
José Roberto Mendonça de Barros, ex-secretário-executivo
da Câmara de Comércio Exterior (Camex). O sócio
da consultoria MB Associados calcula que em 2001 o déficit
em conta corrente deve bater em 4,9% do PIB, cerca de US$ 28,8 bilhões.
A grande frustração das contas externas, diz ele,
é a balança comercial brasileira. Ela deveria compensar
os pagamentos de juros, viagens, lucros e dividendos para o exterior,
que totalizaram US$ 25,7 bilhões em 2000, mas, em vez disso,
acrescenta às contas nacionais uma outra dose de problemas:
o déficit. Da maneira como as coisas estão,
se a economia crescer mais haverá ainda mais déficit,
porque aumentam as importações, diz Mendonça
de Barros, que prevê um resultado negativo de US$ 2,2 bilhões
na balança comercial. Na quinta-feira, dia 1º, o Ministério
do Desenvolvimento apurou que em janeiro e fevereiro as importações
superaram as exportações em US$ 399 milhões.
No ano passado todo, a balança comercial acusou US$ 697 milhões
negativos. O resultado é que não há analista
fora do governo que projete superávit comercial em 2001.
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