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Sexta-feira, 2 de Março
de 2001
RECESSÃO
É BOM
Companhias indianas de software ganham dinheiro com crise da economia
americana
Duda
Teixeira
A
recessão que fecha portas também pode abrir outras.
Enquanto a maioria das empresas de tecnologia americanas assiste
ao valor de suas ações despencar ladeira abaixo desde
abril do ano passado, as companhias de software indianas preenchem
planilhas bastante otimistas. Uma recessão poderia
ferir a todos, mas se ela for branda irá nos ajudar,
afirma Gordon Coburn, diretor-financeiro da Cognizant, uma das principais
empresas indianas de programas de computadores. Em tempos
difíceis, as companhias procuram terceirizar tarefas pagando
o menor preço. Com a proliferação das
notícias sobre uma provável recessão nos EUA,
Coburn chegou a refazer suas previsões de crescimento das
receitas para 2001: de 35%, ele agora espera expandir 40%. E os
cálculos são compartilhados pelas demais companhias
indianas, como a Wipro e a Infosys, todas sediadas em Bangalore,
cidade que se tornou conhecida como o epicentro da tecnologia do
país.
A razão para tanta confiança em grande parte está
na flexibilidade financeira dessas companhias. Uma boa fatia das
suas operações está baseada no seu país
de origem. A Cognizant, por exemplo, tem 70% das operações
na Índia. Lá, programadores podem ser contratados
a um salário inferior do que nos EUA. Assim, essas companhias
podem repassar seus baixos custos para clientes como Cisco Systems
e General Electric. Enquanto a Infosys, segunda maior empresa indiana
de software, cobra em média US$ 43 por hora trabalhada, suas
concorrentes americanas chegam a cobrar US$ 150. O resultado é
um só: segundo uma pesquisa da Merryl Lynch, 46% das maiores
corporações americanas pretendem terceirizar serviços
de tecnologia para estrangeiros. Hoje, mais de 180 das 500 maiores
multinacionais encomendam tarefas para empresas indianas. No último
trimestre, as receitas da Wipro, Infosys e Cognizant cresceram 17%,
a despeito da crise que tombou o faturamento das empresas americanas
em 16% no mesmo período.
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