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MORDOMIA COMPARTILHADA
Time-share é uma opção para quem quer ter um imóvel
de lazer sem dores de cabeça

Fabiana Godoy


Foto: Divulgação
OPÇÕES EM TODO MUNDO: comprando uma semana numa casa ou apartamento você já pode fazer o intercâmbio e viajar para lugares como Acapulco e Londres (abaixo)

Comprar um segundo imóvel normalmente é uma decisão difícil. É o tipo de escolha em que o prazer proporcionado deve pesar mais do que a relação custo-benefício. Já que as despesas não são poucas e as dores de cabeça também. Analise quantas vezes você irá desfrutar do seu bem, quais serão os custos de manutenção, empregados, impostos, segurança, condomínio etc. Uma alternativa à compra de um imóvel de lazer está conquistando muitos brasileiros: o time-share, ou, em português, tempo compartilhado. Não vá pensando apenas naquele esquema de comprar uma semana de uso num hotel. Esse sistema também pode ser usado para que você usufrua de imóveis de luxo em pontos turísticos sofisticados, como a estação de esqui de Aspen, nos Estados Unidos, as Ilhas Gregas, Londres ou Acapulco. É simples: o uso do imóvel é dividido em semanas, cada “proprietário” compra o direito de usá-lo por uma ou mais semanas. Ninguém é dono sozinho, todos têm direito de uso por cerca de 30 anos. Esse é o segmento que mais cresce no turismo hoje no mundo, com 4 milhões de usuários. No Brasil, o preço varia de R$ 4 mil a R$ 20 mil por semana, dependendo do tamanho do imóvel e da época do ano. Fora daqui, pode chegar a US$ 40 mil. A grande vantagem sobre a casa de campo ou de veraneio é que o sistema permite que você troque o período na sua propriedade por uma temporada em qualquer outro lugar do mundo.

Foto: Prensa Três

“É ótimo porque não dá para cansar de um lugar”, conta o advogado paulista Célio Evaldo do Prado, que há três anos comprou um apartamento de luxo timeshare em Orlando, Estados Unidos. Ele pagou US$ 13 mil por uma semana num imóvel para oito pessoas avaliado em US$ 900 mil. O advogado esteve lá uma vez e nos anos seguintes viajou para Punta del Este e Campos do Jordão. “É bom pensar que tenho uma casa que pode ser em qualquer lugar do mundo”, diz. Hoje no Brasil há 30 mil famílias usando o time-share para turismo. “Tudo pode ter tempo compartilhado”, diz Rubens Paes de Barros Sampaio Júnior, diretor da RCI, empresa de intercâmbios e vice-presidente da Abitec, a associação do setor. Diferentemente de um imóvel próprio, no time-share os apartamentos e casas sempre têm serviço de hotelaria, como num flat. Para os brasileiros, a mordomia é tão importante que a maioria procura resorts (entre os quais as redes Marriot, Hyatt e Four Seasons) que têm o sistema.

Foto: Ciete Silverio
CÉLIO E ESTER: uma semana em condomínio de luxo em Orlando

Na ponta do lápis, a compra não é a única despesa do time-share. Na hora de variar os lugares é preciso recorrer a uma das duas empresas do mundo que têm o cadastro dos participantes do sistema. Na troca é cobrada uma taxa de intercâmbio, na RCI varia de 175 a 285 dólares e na Interval, de 144 a 179 dólares. Além disso, os empreendimentos cobram uma taxa de administração anual de, em média, R$ 250 para um imóvel no Brasil e US$ 500, no exterior. “É mais barato comprar três ou quatro semanas assim do que investir numa casa”, diz Clóvis Meloque, gerente geral da Interval International do Brasil. “Afinal, mesmo com uma casa, muita gente continua gastando com hotéis.” Só não dá para esquecer que a casa é um bem sempre à disposição, enquanto o tempo compartilhado exige programação. Para passar duas semanas em Cancún ou no Havaí em dezembro, por exemplo são necessários 60 dias de antecedência. Se você tivesse um imóvel lá, era só comprar a passagem e embarcar.

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