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COMPETIÇÃO
A polêmica
em torno da ida de Gustavo Kuerten à Olimpíada
revela o lado negativo da guerra de marcas no esporte
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| LIBERDADE
Ironicamente, o slogan da Diadora, que patrocina Guga, caiu
como uma luva no caso |
A italiana
Diadora decidiu entrar no jogo no final do terceiro set. Em reunião
de emergência realizada na noite da quarta-feira, 6, a patrocinadora
de Gustavo Kuerten cedeu ao que chamou de apelos populares
e liberou o seu maior astro para disputar a Olimpíada de
Sydney. Guga havia anunciado a decisão de abandonar a competição
dias antes em virtude de um quiproquó comercial envolvendo
Diadora, Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e o patrocinador
oficial da delegação nacional, a Olympikus. Pelo acordo
firmado entre COB e Olympikus, o atleta teria de usar também
as cores da marca brasileira, o que irritou a Diadora. Na reunião,
as empresas concordaram em deixar o tenista jogar sem usar nenhuma
logomarca. A Diadora evitou, assim, o que poderia ser um dos maiores
casos de antimarketing de uma marca esportiva no Brasil.
Nesse jogo de interesses comerciais, é bem verdade, só
haveria perdedores. COB e Olympikus teriam suas parcelas de culpa
aos olhos do torcedor brasileiro. Mas ninguém teria tanto
a amargar quanto a Diadora. A empresa, que foi considerada visionária
há quatro anos, quando apostou em um garoto alto e magrela
que dava suas primeiras raquetadas nas quadras de saibro de Florianópolis,
parecia sofrer nos últimos dias de uma miopía inexplicável.
A Diadora ganhou notoriedade e dinheiro com o Guga e colocaria tudo
a perder ao entrar no jogo mercantilista do COB e ignorar o ideal
olímpico. No mercado consumidor brasileiro, certamente os
reflexos negativos de um veto à participação
do tenista Guga seriam sentidos. A imagem de antipatia ao
País poderia ser indissoluvelmente atrelada à marca
Diadora, com reflexos em suas vendas, diz um analista. De
certo, na condição de ídolo mais do
que um simples atleta patrocinado , Guga, fora da Olimpíada,
contabilizaria prejuízos muito maiores ao caixa da fabricante
do que a sua participação sem o nome do patrocinador.
Essa foi a conclusão decisiva para a virada de tática.
| AFP |
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Os
efeitos da simples ameaça de desistência foram sentidos
de imediato. O Banco do Brasil, outro patrocinador do atleta, chegou
a anunciar um corte de R$ 1,8 milhão no investimento de marketing
para Sydney. O assunto também foi repercutido fora do Brasil.
A Universidade de Sydney quer usar o caso para discutir a relação
dos atletas com patrocinadores. O pesquisador John Devitt sustenta
que o episódio revela a força do patrocínio
no Terceiro Mundo. Segundo ele, atletas e federações
nestes países dependem totalmente de alguns mecenas,
que depois querem algo em troca. Fica a lição.
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