BANCOS
O drama dos gerentes reféns
Mais
de cem vítimas desde o início do ano
|
Ciete
Silvério
|
 |
| Deyvid
leite, do sindicato: Você tem de pôr sua vida
em risco para não ser demitido |
Na
campanha salarial deste ano, uma das principais reivindicações
dos bancários em todo o País é que as chaves
das agências não fiquem mais em poder dos gerentes
e tesoureiros, mas de empresas de segurança. Há uma
explicação para isso. Ser gerente de banco no Brasil,
hoje, é uma das profissões mais perigosas do mundo.
Embora não haja estatísticas oficiais sobre o assunto,
um estudo do Sindicato dos Bancários de São José
dos Campos e Região diz que este ano, somente no Vale do
Paraíba, em São Paulo, 18 funcionários de agências
foram vítimas de seqüestros ou tentativas, junto com
suas famílias num total de 103 reféns. Na capital
do Estado houve pelo menos seis casos. Luiz Girão, gerente
de um Itaú em Bangu, no Rio, também foi seqüestrado
e escapou por pouco quando os bandidos entraram em tiroteio com
policiais.
As quadrilhas descobriram que, para burlar a segurança dos
bancos, podiam raptar os funcionários que têm a chave
dos cofres. Eles passam a noite em poder dos bandidos, abrem a agência
na manhã seguinte e aguardam a libertação de
seus familiares. É horrível. Só soltaram
minha filha cinco horas depois de eu entregar o dinheiro,
recorda o gerente de um banco estatal. A funcionária de um
posto bancário em uma montadora no Interior foi espancada
diante do filho de dez anos, e acabou solta quando o líder
da quadrilha concluiu que ela não poderia ir à empresa
naquele estado.
Alguns bancos já lavram boletins de acidente de trabalho
para seus funcionários, e a Caixa Econômica até
dá apoio psicológico. Em outros casos, porém,
dois funcionários do Real e três do Itaú foram
demitidos porque colaboraram com os assaltantes, em lugar de chamar
a polícia. Desde que os crimes começaram, algumas
instituições já passaram circulares avisando
que os resgates não devem ser pagos. Veja só,
você tem de pôr sua vida em risco para não ser
demitido, protesta Deyvid Leite, diretor da comissão
de segurança do Sindicato dos Bancários de São
Paulo.
|