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NEGÓCIOS

Sintoma grave
Guerra das Unimeds de São Paulo contamina sistema que fatura R$ 5,4 bi em todo o País

RICARDO OSMAN

Não chamem para a mesma mesa de operação médicos diretores da Unimed Paulistana e da Unimed São Paulo. Eles estão em guerra. E suas divergências, no milionário mercado da capital paulista, são apenas parte de um conflito maior. Em jogo está a disputa de poder nas 364 cooperativas do sistema espalhadas pelo País, um faturamento anual de R$ 5,4 bilhões e 11 milhões de usuários. Em meio à briga de duas correntes políticas, a Unimed Brasil e a Aliança, espocam acusações de que a Unimed São Paulo, dona de faturamento de R$ 330 milhões e 460 mil usuários, estaria com problemas. “Temos notícias de que a Unimed São Paulo passa por dificuldades financeiras”, dispara o presidente da Aliança, o médico Reginaldo Tavares, representante das Unimeds do Norte e Nordeste. “Mas não podemos fazer nada porque não está ligada ao nosso grupo”, acrescenta. O presidente da Unimed São Paulo, líder da Unimed Brasil, o médico Edmundo Castilho, contra-ataca. “Num momento como este, partir para a predação, para a retaliação, é dar um tiro no pé”, rebate ele. “Estamos num processo de recuperação, a dificuldade é transitória. Temos o apoio de Unimeds de todo o País e ativos superiores às dívidas (calculadas em R$ 46 milhões)”, conta.

O foco da disputa é o principal mercado do País. A Unimed Paulistana e a Unimed São Paulo se digladiam pelo mesmo público na mesma área geográfica, a capital paulista. A primeira a surgir foi a Paulistana, em 1971. Hoje, fatura R$ 140 milhões e atende a 350 mil usuários. Fundador das cooperativas médicas, Edmundo Castilho discordou dos rumos “mercantilistas” do trabalho na Capital. Ele deu um jeito de afastar a Paulistana da Federação e criou, em 1978, a Unimed São Paulo. O regime de cooperativa assegura autonomia a ambas para estarem no mercado. “Castilho imaginou que nós deixaríamos de existir quando ele fundou a Unimed São Paulo”, conta o presidente da Paulistana, o médico Thyrson Loureiro de Almeida. “Mas isso não está acontecendo, nosso crescimento é sustentado, ao contrário de algumas cooperativas que apresentam problemas de inadimplência.” Há três anos, a eleição para a presidência da Unimed Brasil deu novos contornos à briga. A vitória de Edmundo Castilho acarretou uma cisão. Reginaldo Tavares criou a Aliança, com o objetivo de representar nacionalmente as Unimeds.

O risco maior da confusão é que o sistema Unimed prevê intenso e delicado relacionamento entre as cooperativas de todo o País em benefício do cliente. Tudo funciona graças a uma espécie de câmara de compensação. Se isso for afetado pelo racha, o projeto nacional estará ameaçado. Os cálculos do gerente geral da Unimed São Paulo, José Eduardo de Oliveira Lima, mostram um fluxo intenso. Nos últimos 18 meses, a São Paulo pagou a outras cooperativas que lhe prestaram serviços R$ 140 milhões. Neste período, cobrou R$ 97 milhões por gastos na Capital de clientes de outros pontos do País. “O repasse atrasado por nós são R$ 5 milhões”, revela Oliveira Lima. “Mas, no contra-fluxo, temos créditos de R$ 7 milhões.” O intercâmbio entre a Paulistana e a São Paulo inexiste. Em junho, a Unimed de Belo Horizonte suspendeu o intercâmbio operacional com a Unimed São Paulo. O motivo seria a falta de pagamento de clientes tratados em Minas Gerais. Mas o problema já está superado, avisa o presidente da Unimed mineira, Emerson Fidelis.

A Aliança divulga ter a seu lado 162 cooperativas. Os adversários contestam. O número não chegaria a 60. O presidente da Confederação das Unimeds do Estado de São Paulo, Antônio Alberto de Felício, anuncia, em tom grave, importante reunião nesta semana. “Vamos tomar providências sobre o problema”, avisa. Resta saber qual será o remédio.

 

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